Taxas futuras de juros precificam maior chance de alta da Selic após ata do Copom

    Taxas dos DIs com prazos mais curtos registram ganhos firmes, enquanto na ponta longa da curva termo as taxas também sobem, em sintonia com exterior

    Foto: José Cruz/Agência Brasil

    Investidores intensificaram nesta terça-feira as apostas de que o Banco Central (BC) poderá elevar a Selic no curto prazo, o que faz as taxas dos Depósitos Interfinanceiros (DIs) com prazos mais curtos registrarem ganhos firmes, enquanto na ponta longa da curva a termo as taxas também sobem, em sintonia com o exterior.

    De acordo com informações do portal InfoMoney, a taxa do DI para janeiro de 2025 — que reflete a política monetária no curtíssimo prazo — estava em 10,67%, ante 10,585% do ajuste anterior. Já a taxa do DI para janeiro de 2027 estava em 11,655%, ante 11,439% do ajuste da véspera.

    Entre os contratos mais longos, a taxa para janeiro de 2031 estava em 11,87%, ante 11,795%.

    Boa parte do movimento ocorre na esteira da divulgação, nesta manhã, da ata do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC. No documento, o Banco Central incorporou em sua comunicação a mensagem de que não hesitará em elevar a taxa de juros para assegurar a convergência da inflação à meta se julgar apropriado.

    “O Comitê avaliará a melhor estratégia: de um lado, se a estratégia de manutenção da taxa de juros por um tempo suficientemente longo levará a inflação à meta no horizonte relevante; de outro lado, o Comitê, unanimemente, reforçou que não hesitará em elevar a taxa de juros para assegurar a convergência da inflação à meta se julgar apropriado”, pontuou a ata.

    A mensagem foi considerada por parte do mercado como hawkish (dura) com a inflação, com os patamares mais elevados do dólar ante o real servindo de justificativa para o aumento recente da precificação de alta da Selic.

    A curva brasileira precificava 41% de chances de manutenção da Selic em 10,50% ao ano em setembro. A probabilidade de alta de 25 pontos-base era novamente majoritária — como já tinha ocorrido há alguns dias –, de 59%. Na véspera os percentuais eram de 57% e 43%.

    No exterior, a sessão é de maior alívio após a corrida por segurança da véspera em meio aos receios de recessão nos Estados Unidos (EUA). Parte dos investidores se colocava nesta terça-feira (6) na ponta de venda dos títulos norte-americanos, o que dá sustentação aos yields. O rendimento do Treasury de dez anos — referência global para decisões de investimento — subiu 11 pontos-base, a 3,892%.