Número de famílias com contas atrasadas atinge maior número em 12 anos

    Pesquisa da Confederação Nacional do Comércio aponta inadimplência em 27% dos lares e endividamento de 76,6%

    Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

    O percentual de famílias com dívidas e/ou contas em atraso apresentou, em fevereiro, o maior núemro desde março de 2010. A conclusão é da Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

    Alcançando 27% dos lares, o indicador de inadimplência aumentou 0,6 ponto percentual em relação a janeiro. Já a parcela que declarou não ter condições de pagar suas contas ou dívidas em atraso e que, portanto, permanecerá inadimplente cresceu 0,4 ponto percentual. Esta proporção chegou a 10,5%, mesmo percentual registrado em fevereiro do ano passado.

    O percentual de famílias que relataram ter dívidas a vencer (cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal, prestação de carro e de casa) alcançou 76,6%, retomando o nível apurado em dezembro de 2021. Há um ano, a proporção de endividados era de 66,7%, 9,9 pontos percentuais abaixo do número atual.

    O endividamento no cartão de crédito apresentou a primeira redução entre os endividados desde fevereiro de 2021, mas segue como o principal tipo de dívida no país, representando 86,5% do total.

    Para o presidente da CNC, José Roberto Tadros, a escalada dos juros dificulta a renegociação das dívidas. “O panorama mostra que, na margem, o custo do crédito mais elevado e o próprio endividamento alto entre as pessoas que vivem no mesmo domicílio dificultam a contratação de novas dívidas e o pagamento dos compromissos na data de seus vencimentos”.

    A economista da CNC responsável pela pesquisa, Izis Ferreira, avalia que o encarecimento do crédito e a fragilidade no mercado de trabalho devem seguir afetando a dinâmica do endividamento e da inadimplência dos consumidores.