Yields estão no maior patamar da última década, mas é preciso cautela

    No Brasil, os fundos da Oaktree são distribuídos pela Gama Investimentos

    Foto: Reprodução/ Youtube

    Os juros elevados nos Estados Unidos e as sinalizações de membros do Federal Reserve de que as taxas não devem cair tão cedo têm contribuído para grandes oportunidades na renda fixa global, em especial nos países desenvolvidos, de acordo com portal Bloomberg Línea.


    Wayne Dahl, gestor de crédito global da Oaktree, destacou que os yields nos papéis high yield (de maior risco e, consequentemente, maior potencial de retorno) estão atualmente no maior patamar dos últimos 13 anos, em média, com um retorno entre 8% e 9% em dólares.


    O rendimento, que se aproxima do encontrado no mercado de ações, tem deixado esse ativo no exterior mais atrativo e gerado interesse de gestores e investidores brasileiros para a estratégia, pois conseguem um yield em reais na casa dos 13% a 14%, contou o gestor em passagem por São Paulo.
    Apesar do nível atraente, Dahl ressaltou que o investidor não deve baixar a guarda e que deve adotar um tom mais cauteloso neste início de ano em comparação a 2023.


    “Alguns dos fatores que deixaram os EUA de fora de uma recessão em 2023, como um consumidor resiliente, podem desacelerar neste ano. Não que vemos uma recessão em alguma data específica, mas alguns fatores que suportaram os mercados em 2023 podem ser menos presentes em 2024″, afirmou.


    Embora a América Latina tenha historicamente ocupado grande parte da estratégia global de crédito privado da Oaktree, a preferência hoje no portfólio global da gestora tem sido por papéis de países desenvolvidos em vez dos de emergentes, dado o ciclo de juros nos EUA e o atual patamar dos yields. O Brasil faz parte do universo de investimento da gestora, que costuma alocar capital em títulos corporativos em detrimento dos soberanos em emergentes.


    “Com os yields do jeito que estão em mercados desenvolvidos, não sentimos que precisamos desse risco extra. Porque não importa o quanto avaliamos uma companhia, pode haver volatilidade no curto prazo dado o cenário externo”, disse Dahl.

    Preferência por bens de consumo

    Em um contexto de desaceleração do consumo nos EUA, o gestor da Oaktree destacou a preferência por papéis de empresas dos setores de bens de consumo, com cuidado para aqueles de caráter discricionário que podem “mudar de direção” em um contexto econômico mais desafiador.