‘Aberração de proposta’, diz Fernanda Montenegro sobre porte de armas

    Em entrevista à Quem, atriz de 89 anos se posicionou contra a flexibilização do acesso às armas de fogo: "Acho melhor pensar na educação"

    Foto: TV Globo

    Aos 89 anos, a atriz Fernanda Montenegro se tornou um dos assuntos mais comentados nas redes sociais, quando foi ao ar a cena em que a sua personagem Dulce, em “A Dona do Pedaço”, atira em Amadeu (Marcos Palmeiras) e ateia fogo na casa da família Matheus. Em entrevista à Revista Quem, a veterana comentou sobre o capítulo que tanto repercutiu e opinou sobre a flexibilização da lei do porte de armas no Brasil.

    “Todo mundo comentou da cena dos tiros. Não foi fácil, porque era longa, fora das medidas de cenas de novela. Eram cinco ou seis páginas para você ter noção. Foi dentro de um movimento na cena, que aparentemente seria um encontro, mas diante de uma realidade assassina do oponente, a velhinha puxou um revólver e acabou com a raça dele, antes que ele acabasse com ela”, ressalta Fernanda.

    Sem fugir do tema da novela de Walcyr Carrasco, Fernanda Montenegro disse ser contrária ao novo Estatuto de Controle de Armas de Fogo que foi proposto, e que assegura o direito para cidadãos que atendam aos pré-requisitos. A atriz chamou a proposta de “aberração” e reforçou que acredita que seja melhor concentrar os esforços na “educação” e na “cultura”.

    “Ter uma arma é um perigo duplo. Para você a ter, primeiro, vai ter que aprender a usar. Se é um momento que coloca-se a Educação em segundo plano, como é que você traz para primeiro o porte de arma, que de qualquer maneira exigiria também um aprendizado em cima do gatilho. Acho que é melhor pensar na Educação, na Cultura, no saneamento básico, do que começar a gritar que todo mundo tem que ter uma arma qualquer. É uma aberração de proposta”, defende ela.

    “Não prestigiar a Educação, não prestigiar a Cultura, não dar conta de um saneamento básico, que com um atendimento real, o povo passa a ter mais saúde. E vai se perder tempo com arma. É lamentável”, complementa.