Acionistas aprovam megafusão entre Warner Bros. e Paramount

    Negócio ainda depende de aval regulatório e levanta preocupações sobre concentração de poder em Hollywood

    Foto: Divulgação

    Uma megafusão entre Warner Bros. Discovery e Paramount Global avançou após aprovação dos acionistas, aproximando um acordo que pode remodelar Hollywood e o setor de mídia.

    Segundo contagem preliminar, a maioria dos investidores da Warner aprovou a venda da empresa por US$ 31 por ação, totalizando cerca de US$ 81 bilhões (R$ 402 bilhões). Com dívidas incluídas, o valor chega a quase US$ 111 bilhões (R$ 551 bilhões).

    Controlada pela Skydance, a Paramount pretende incorporar toda a Warner, reunindo ativos como HBO Max, CNN e franquias como “Harry Potter” ao lado de marcas como CBS, “Top Gun” e o streaming Paramount+. Apesar do avanço, o acordo ainda passa por análise de órgãos reguladores, incluindo o Departamento de Justiça dos EUA, e a expectativa é de conclusão no terceiro trimestre.

    A negociação foi marcada por disputas. Inicialmente, a Warner resistiu à Paramount e chegou a considerar uma proposta da Netflix, mas a empresa rival desistiu após a oferta mais alta. Agora, com o apoio do conselho, o negócio segue adiante.

    A fusão, que uniria dois dos principais estúdios de Hollywood e plataformas como HBO Max e Paramount+, gera reações no setor. Profissionais da indústria criticam a concentração, apontando riscos de demissões, menos oportunidades criativas e redução na diversidade de conteúdo. Parlamentares também demonstraram preocupação com o impacto sobre o controle de narrativas no entretenimento e no jornalismo.

    Executivos defendem que a união ampliará o catálogo e pode beneficiar o público, inclusive com a possibilidade de integrar serviços de streaming. O CEO da Paramount, David Ellison, prometeu manter o compromisso com o cinema, incluindo janelas de exibição de 45 dias e a produção de cerca de 30 filmes por ano.

    Ainda assim, documentos indicam planos de corte de custos, incluindo demissões. Há também questionamentos sobre possíveis aumentos de preços e impactos no jornalismo, especialmente diante de mudanças recentes na CBS e da possibilidade de alterações na CNN.

    O acordo também levanta dúvidas sobre influência política e participação de investidores estrangeiros, como fundos do Oriente Médio. Autoridades nos EUA e na Europa seguem analisando a operação, e estados como a Califórnia já indicaram que podem contestá-la.