Depois de três anos longe dos palcos, o cantor baiano Arpe voltou à ativa com uma sequência de novos projetos e uma defesa ainda mais firme do espaço ocupado pelo reggaeton no Brasil. Natural de Itaberaba e radicado em Feira de Santana, o artista lançou recentemente “Encaixe”, single que ganhou videoclipe gravado em Salvador.
Em entrevista ao bahia.ba, Arpe definiu o retorno como uma continuidade do trabalho construído ao longo da carreira, mas agora com mais maturidade e segurança. Para ele, o período afastado serviu para estudar novas formas de produzir e se comunicar com o público.
“Eu vejo um Arpe mais maduro e seguro, um Arpe ainda mais conectado com sua essência. Esse tempo que fiquei em stand-by serviu para estudar ainda mais novas técnicas e novas formas de me conectar com meu público. O Arpe de hoje não é um novo Arpe, é uma nova versão, é um Arpe aprimorado”, afirmou.
A retomada ganhou como cartão de visitas “Encaixe”, faixa produzida pela paulista La47 e inspirada em um romance vivido pelo cantor. A história começou após Arpe conhecer uma pessoa durante um show de Bad Bunny, em São Paulo. A composição, segundo ele, levou cerca de 20 minutos.
De uma história pessoal para o reggaeton
“Em ‘Encaixe’ eu criei essa ponte entre a arte e o que eu estava sentindo, para que as pessoas pudessem se conectar a esse sentimento, a esse fragmento de mim. Quando se tem sentimento, tudo flui muito naturalmente”, contou.
O videoclipe também reforça uma característica que Arpe pretende preservar mesmo trabalhando com uma sonoridade associada a outros países da América Latina. Gravado em pontos da Ribeira, em Salvador, o audiovisual coloca a Bahia como parte central da identidade do artista.
“Quero mostrar que é possível ser baiano e cantar reggaeton. Eu amo ser baiano, eu amo ser reggaetoneiro, logo essas duas coisas sempre serão os ingredientes principais da minha arte”, explicou.
Antes da Ribeira, Arpe já havia escolhido o Pelourinho como cenário para um de seus trabalhos. Para o cantor, mesmo que passe por outros ritmos e referências, a ligação com o estado continuará presente. “O reggaeton e a Bahia sempre serão o meu retorno, a minha base, a minha casa”, completou.
‘Artistas invisíveis’
Fundador da plataforma Reggaeton Brasil, criada em 2005, Arpe acompanha há mais de duas décadas a tentativa de consolidação do gênero no país. Apesar do crescimento mundial do reggaeton e do aumento do consumo desse tipo de música entre os brasileiros, ele considera que os artistas nacionais ainda enfrentam dificuldades para conquistar espaço.
“Os nossos artistas aqui ainda são esquecidos. São como artistas invisíveis e não têm o devido espaço e o devido valor agregado a eles”, afirmou.
Para Arpe, o desafio aumenta quando se trata de um artista independente que produz reggaeton em português. Parte do público, segundo ele, ainda associa o gênero diretamente à língua espanhola, o que faz alguns artistas brasileiros transitarem entre os dois idiomas.
O cantor acredita, no entanto, que o cenário mudou significativamente em comparação ao início dos anos 2000. “Hoje as pessoas conhecem mais o reggaeton, ouvem, vão para as baladas que só tocam esse estilo. Elas se encontraram, não se sentem mais isoladas”, avaliou.
Arpe cita impacto de Anitta no gênero
Na avaliação do baiano, Anitta teve papel importante na mudança da percepção do mercado brasileiro sobre o reggaeton. O cantor cita especialmente a projeção internacional conquistada pela artista ao investir na carreira voltada também para o mercado latino.
“Anitta provou que esse sonho não era impossível. Ela tornou o inalcançável em realidade e é uma inspiração para todos os brasileiros que amam reggaeton”, disse.

Para Arpe, o alcance da cantora também apresentou o gênero a uma parcela do público brasileiro que não tinha contato frequente com a música latina.
“Anitta trouxe em suas músicas expressões, colaborações de peso e estilos diferentes de reggaeton. Sem perceber, ela estava catequizando muitos brasileiros a gostarem de reggaeton”, brincou.
Questionado sobre com quem gostaria de dividir uma faixa, Arpe também colocou Anitta entre os nomes escolhidos. No cenário internacional, apontou J Balvin como um dos artistas que mais influenciaram sua trajetória.
Novos projetos
“Encaixe” também abre caminho para uma sequência de lançamentos. Entre os próximos passos está a produção de um EP que deve apresentar outras sonoridades além do reggaeton.
“Esse reunirá algumas canções que fiz durante minha carreira que não são reggaeton, mas que dialogam com minha essência baiana e com meu íntimo. Nesse projeto vocês verão uma versão nunca vista antes e ritmos diferentes que trazem todo o molho baiano”, antecipou.
O artista também prepara seu primeiro single de reggaeton cantado em espanhol, uma participação no álbum “Reggaeton Brasil Vol. 4” e sua primeira colaboração internacional.
Para Arpe, os novos trabalhos representam mais uma etapa de uma trajetória que precisou encontrar caminhos próprios para existir dentro do mercado brasileiro.
“Nunca pensei em desistir do reggaeton porque era algo em que eu realmente acreditava muito. Nunca foi uma questão de ‘se’, apenas de ‘quando’. Quando tem amor envolvido, não importa quantas portas fechem, sempre abriremos uma janela”, concluiu.

