Três meses atrás, o Navio Pirata, do BaianaSystem, vestiu-se de “Balacobaco – O Mundo Dá Voltas”, para atravessar o circuito Osmar, no Campo Grande. Amparado no mais recente álbum da banda, “O Mundo Dá Voltas” (2025), o tema do Carnaval deste ano partiu da figura do personagem Balacobaco, que dá também nome a uma das faixas do disco, alinhando-se a uma ideia de continuidade em relação ao tema escolhido para os desfiles de 2024, “Batukerê: Toda Fé, Toda Paz” – a faixa “Batukerê” abre o mesmo álbum.
É com a proposta de mergulhar nesta linha do tempo que o grupo promove, no Salão Nobre da CAIXA Cultural Salvador, o bate-papo “Carnaval de Batukerê a Balacobaco”. A atividade acontece no próximo dia 7, às 17h, com patrocínio da CAIXA e do Governo Federal e a participação de Russo Passapusso, vocalista da banda, e Roberto Barreto, guitarrista e fundador.
A conversa começa com o multiartista de Salvador Arygil, passeando pelo universo de “O Inexplicável (sessão ao vivo – take 2)”. A faixa não está oficialmente no repertório de “O Mundo Dá Voltas”, mas emergiu nas plataformas digitais no último 2 de fevereiro, Dia de Iemanjá, como um ijexá funk jazz baiano, no entorno do universo do disco.
Focada em uma Bahia que exalta os compositores, a canção foi composta 30 anos atrás por Arygil. “Ele é um artista totalmente intuitivo, ligado a todas as manifestações de rua de Salvador, uma espécie de embaixador cultural, conectado com o reggae, com os blocos afro, com a música popular do Brasil, com o início da Timbalada e com o universo da música experimental baiana”, conta Roberto Barreto.
Na sequência, Diego E. C. Bomfim, médico de família e comunidade e professor da UFBA, que trabalha com saúde mental na atenção primária, territórios e cultura, começa uma conversa que terá como pano de fundo “A vida é curta para viver depois”.
Representantes de Os Revolucionários, fã-clube do BaianaSystem, sobem ao palco na sequência para falar de sua atuação no entorno da banda para além do aspecto artístico, focada na coletividade e no acolhimento de fãs em situação vulnerável.
Intitulado “Baiana Guitarra”, o papo com Ágatha Macêdo encerra o dia, focado na importância da guitarra baiana para a música. Instrumentista representante da nova geração da guitarra baiana, Ágatha participou das duas apresentações do Navio Pirata em Salvador este ano e tem em sua história pessoal uma ligação forte com o instrumento.
“A guitarra baiana teve por muitos anos presença instrumental marcante nas ruas de Salvador através do som que saía dos alto-falantes dos trios elétricos, e as duplas de guitarristas eram também uma marca dessa linguagem. As melodias desfilavam um repertório muito variado, e as aberturas de vozes criavam camadas e uma atmosfera que dialogava com o rock, o pop e o progressivo”, afirma Roberto Barreto.
Sobre Balacobaco
Balacobaco é uma energia muito antiga, que está intimamente ligada à gênese mais profunda de se fazer um Carnaval, é o querer botar o bloco na rua. “Inclusive, já nos salvou diversas vezes, seja na forma de Caretas do Mingau durante a independência, do Negro Fugido na luta pelo fim da escravidão e até no sagrado, como no culto aos Egunguns”, diz o pesquisador Felipe Brito. Esteticamente, o personagem bebe das representações carnavalescas oriundas destas vertentes citadas, da matriz de Saubara, a coragem das Caretas do Mingau inspira as Caretas de Acupe; já na ilha de Itaparica a matriz dos Mascarados de Manguinhos é inspirada nos Egunguns e Aparakás. Ambos já haviam aparecido durante a pesquisa e a apresentação “Paredão Patuscada”, espetáculo de BaianaSystem e Carlinhos Brown no Festival de Verão de Salvador de 2024.
Durante o evento, serão exibidas imagens do Carnaval 2025 do BaianaSystem e da gravação da faixa “Inexplicável”, com Arygil. A entrada é gratuita. É necessário se inscrever (mais infos abaixo) e o acesso está sujeito à lotação da sala (70 lugares).
SERVIÇO:
Bate papo BaianaSystem – “Carnaval de Batukerê a Balacobaco”
Quando: 7/5, às 17h
Onde: CAIXA Cultural Salvador (r. Rua Carlos Gomes, 57, centro)
Quanto: gratuito. Inscrições a partir das 12h do dia 6/5, através do site CAIXA Cultural (aba Salvador). Sujeito a lotação (70 lugares).
Classificação: LIVRE.

