Carnaval encontra a música sinfônica no ‘Baile Concerto’ da OSBA

    Espetáculo reúne constelação de artistas baianos no Pelourinho e na Concha Acústica neste fim de semana

    Maestro Carlos Prazeres
    Foto: Taylla de Paula/ Divulgação

     

    A energia do Carnaval baiano encontra a experiência harmônica da Orquestra Sinfônica da Bahia (OSBA) com o Baile Concerto – A Saideira, que acontece neste sábado (21), no Largo do Pelourinho, e no domingo (22), na Concha Acústica do Teatro Castro Alves, ambos às 19h.

    Sob a regência e direção musical do maestro Carlos Prazeres e direção artística de Manno Góes, a OSBA se encontra com grandes nomes da música baiana, de diversos estilos, como Alinne Rosa, Cortejo Afro, Illy, Larissa Luz, Nelson Rufino, Robson Morais e Serginho do Adão Negro. Além deles, Ed City, apenas no sábado, e Zeca Veloso, apenas no domingo, formam a constelação de convidados.

    Nesta sexta-feira (20), o bahia.ba pôde acompanhar o ensaio para o espetáculo e conversar com o maestro e o diretor artístico, que contaram mais detalhes do que está sendo preparado para o fim de semana especial.

    Manno Góes, que vem fortalecendo cada vez mais os laços com a orquestra desde que foi convidado para dirigir o Baile Concerto de 2025, diz que a parceria nasceu da boa química com o maestro Carlos Prazeres.

    “A gente gosta de ideias parecidas. E, a partir daí, fui convidado a fazer outros espetáculos. Fiz o em homenagem aos 80 anos de Gal Costa. Fiz o de Geraldo Azevedo no São João. Estamos começando aqui esse do Baile Concerto 2026. E que outros venham, porque é sempre um prazer fazer com a OSBA. A equipe é muito legal. É um equipamento cultural muito amado e querido”, explicou Manno.

    Segundo o diretor, tudo é feito com extremo cuidado e com muita antecedência, para que se dê a melhor entrega possível ao público baiano.

    “Tudo é feito com muito carinho. A escolha do repertório, o roteiro, a escolha dos artistas que vão participar, porque é muito trabalhoso. São muitas pessoas envolvidas nesse processo, mas é muito prazeroso, muito satisfatório. A entrega sempre está sendo muito bonita, com um clima muito leve, muito alegre, bom de trabalhar. Os artistas se emocionam e, mais importante que tudo, a plateia se emociona. Então isso é maravilhoso”, acrescentou.

    Destacando a importância de manter a orquestra próxima ao público baiano, o maestro Carlos Prazeres pontua que abraçar todos os ritmos naturais do estado é essencial para a identificação popular, para além do erudito.

    “A OSBA se considera parte da sociedade baiana e não um elemento civilizatório exterior à sociedade. Então, sendo assim, ela tem que estar conectada ao reggae de Edson Gomes, ao pagodão, ao samba-reggae. Ela tem que estar conectada a tudo que tem de melhor na música baiana”, pontuou.

    “Esses universos não são fáceis de juntar, mas essa junção, musicalmente, é muito necessária. A gente precisa estar conectado sempre com o que a nossa sociedade faz. E eu vivo, eu pessoalmente, Carlos Prazeres, vivo intensamente cada festa dessa cidade. O povo baiano me encontra em todos os reggaes aqui de Salvador e da Bahia. Então acho que é muito importante saber o que essa sociedade faz para poder festejar junto com ela”, afirmou o maestro, natural do Rio de Janeiro, mas à frente da orquestra desde 2011.

    Foto: Taylla de Paula/ Divulgação

    Constelação de convidados

    Trazendo uma grande diversidade de convidados, a OSBA irá passear entre o samba, a axé music, o pagodão e até o reggae, nessa grande celebração carnavalesca.

    “A gente quer fazer desse espetáculo sempre uma experiência que não seja só um show de música baiana, um show de Carnaval. É uma experiência. Então a gente passa por momentos, tem uma dinâmica, tem desafios que os artistas enfrentam, cantando músicas com orquestra, cantando músicas que não estão habituados a cantar”, explica Manno.

    Com a proposta de aproximar o erudito do popular, o trabalho conjunto da orquestra, com a parceria do diretor artístico convidado, é mostrar que tudo compõe o espectro maior da música da Bahia.

    “O baiano é muito receptivo a essas transformações, a essa ousadia que a OSBA sempre provoca, trazendo concertos populares para as pessoas se aproximarem dos arranjos sinfônicos. Isso é fascinante, é genial. É muito bom que a Bahia tenha a OSBA. É muito bom que a gente tenha o maestro Carlos Prazeres, que é um cara revolucionário”, celebrou Manno.

    “Então é essa experiência que a gente quer passar, convidando artistas que representam, que têm um significado e que gostam de enfrentar esses desafios também”, completou.

    Resgatando o tema do Carnaval de Salvador deste ano, que foi “O Samba Nasceu na Bahia“, a OSBA também faz questão de destacar o gênero centenário como pilar do espetáculo.

    “O samba aparece aqui de uma forma muito natural. A nossa percussão é muito maleável, ela transita da linguagem orquestral para o ritmo de forma muito fluida, até porque, nos carnavais que tenho frequentado, muitos músicos estão lá em cima do trio também. Então todo mundo aqui é facilmente conectado a esses dois universos, principalmente o naipe de percussão”, explicou o maestro.

    Foto: Taylla de Paula/ Divulgação

    Espetáculo acessível

    Com uma abordagem diferente, o show será apresentado em dois formatos. O primeiro, gratuito neste sábado, no Largo do Pelourinho, e o segundo na Concha Acústica do TCA, berço da OSBA. O movimento também representa a importância de se aproximar de públicos diferentes.

    “A gente está falando do Pelourinho, que é um dos lugares mais lindos de Salvador e que, há poucos anos, estava abandonado. Hoje é um lugar riquíssimo de cultura, em que o Estado faz questão de investir em cultura e diversidade. O Carnaval lá a cada ano se torna mais significativo, a vida no Pelô se torna mais interessante. É um lugar vivo, pulsante e lindo”, celebrou Manno.

    “E a Concha Acústica, que já é o berço da OSBA, já é a nossa casa, o nosso aconchego. O que a gente faz aqui é sempre uma entrega maravilhosa. A plateia ama, participa. Temos um cuidado com a cenografia e um cuidado estético para transformar essa experiência em algo único e inesquecível para as pessoas que vêm participar”, concluiu o diretor artístico e compositor da axé music.

    Para o maestro, é desejo do governo do Estado, ao qual pertence a OSBA, fomentar a música e levá-la para os mais diversos locais.

    “Eles têm esse interesse, do qual compartilho, de que a música seja acessível. E ela é acessível de várias formas, não é só no preço. Por acaso, esse agora do Pelourinho é gratuito. O da Concha, para quem quiser sentar e assistir mais tranquilo, será pago”, pontuou.

    “Mas essa acessibilidade também acontece com o que a gente faz musicalmente. A partir do momento em que estamos aqui tocando samba, além de Beethoven, Villa-Lobos e Brahms, já estamos acessibilizando a Orquestra Sinfônica da Bahia para o povo”, concluiu Carlos Prazeres.