Cine Tupy: último pornô de Salvador dá um tapa no visual

    Após extinção do Astor em 2013, o Tupy é um dos dois únicos cinemas de rua da cidade, juntamente ao Glauber Rocha

    Foto: James Martins / bahia.ba

    O Cine Tupy, na Baixa dos Sapateiros, último cinema pornô e um dos últimos cinemas de rua de Salvador, deu uma renovada na fachada e assumiu um visual mais clean.

    No lugar das letras vermelhas (com sombreamento em preto) sobre fundo amarelo, surge um letreiro em P&B, com tipos chapados emoldurados por uma simulação de rolo de filme. O texto também está mais austero – sai: “TODOS OS DIAS 2 FILMES ERÓTICOS”; e entra um discreto: “Filmes Adultos”.

    Perguntado pela reportagem o que seriam filmes adultos, um homem que passava apressado pelo local, provavelmente a caminho do trabalho, brincou: “Deve ser um filme cheio de pepino pra resolver. Ser adulto é isso… viver cheio de pepinos”.

    Atirou no que viu, acertou no que não viu. Pois os adultos que frequentam o Tupy, em geral estão mesmo em busca de pepinos, bananas da terra, mandioca e afins.

    Foto: Alessandra Benini / bahia.ba
    O letreiro antigo, pintado sobre madeira à maneira das festa de largo do passado (Foto: Alessandra Benini / bahia.ba)

     

    Na verdade, o filme em si é tão desimportante para a clientela do cinema que sequer são anunciados. Basta a menção ao gênero. Com a nova fachada, o Tupy acena a renovação de sua longevidade e frustra, em plena crise, os agourentos que torcem (ou mesmo clamam) pelo seu fim.

    Espremido entre uma unidade do Sesc e um templo da Igreja Universal do Reino de Deus, ele também oferece um serviço de primeira necessidade como a espiritualidade ou o curso profissionalizante. E o melhor, o preço continua o mesmo: R$ 7 (com direito a ficar até enjoar, sem limite de sessões).

    Foto: James Martins / bahia.ba
    Foto: James Martins / bahia.ba