Cumberbatch rouba posto de Downey Jr. em ‘Doutor Estranho’

    "Doutor Estranho", dirigido por Scott Derrickson, funciona assim como seus quadrinhos: uma decisão arriscada, madura e certeira. Confira a resenha sem spoilers

    Foto: Divulgação

    Vendo o sucesso que Quarteto-Fantástico, Espetacular Homem-Aranha e o Invencível Homem de Ferro trouxeram à Casa das Ideias, Stan Lee resolveu, em 1963, reunir os títulos na antologia “Strange Tales”. Na edição 110 da coletânea, um novo herói cujo nome foi tirado do título da revista surgiu: Doutor Estranho (Dr. Strange, no inglês), o mestre das artes místicas.

    Até então, a maioria das histórias do selo eram baseados em contos de ficção científica apenas – o mais próximo da magia seria o Poderoso Thor. Com estreia marcada para esta quarta-feira (2), o longa “Doutor Estranho”, dirigido por Scott Derrickson, funciona assim como seus quadrinhos: uma decisão arriscada, madura e certeira – apesar de se manter agarrado à fórmula Marvel, com as cores e o alívio cômico de praxe.

    Logo de início, notamos a semelhança do Doutor Estranho de Benedict Cumberbatch, com outra personagem interpretada pelo inglês: Sherlock Holmes. Ambos são profissionais considerados os melhores no que fazem e, o pior, têm plena consciência disso. O primeiro, é neurocirurgião que passa os dias esnobando colegas e recusando casos que não sejam desafiadores. Até que um acidente causado por sua própria arrogância o deixa sem os movimentos das mãos – essenciais para exercer sua função.

    Depois de esgotar suas chances e fortuna na medicina tradicional ocidental, ele parte para Catmandu, no Nepal, em busca de uma solução. No filme, dois fatores operam de maneira incisiva para a sua boa realização: elenco e visual. Protagonizado por Benedict Cumberbatch, com boas atuações de Tilda Swinton e Chiwetel Ejiofor – e uma Rachel McAdams que, mais uma vez, se resume à superficialidade e não mostra para o que veio -, as personagens não demoram a conseguir a empatia do espectador. Na tela, o quarteto dá um salto de qualidade ao filme, mas fica refém de um roteiro sem novidades. A fórmula origem do herói, apresentação do vilão e embate final começa a dar claros sinais de desgaste. Ainda mais com o vilão inexpressivo de Mads Mikkelsen – que fez ótimos trabalhos em Hannibal (série baseada em Hannibal Lecter, do longa “Silêncio dos Inocentes) e como o vilão de 007 Cassino Royale.

    Doutor Estranho é uma das raras exceções onde o 3D de fato é crucial para aproveitar o visual do filme. Os efeitos especiais empregados não aparecem gratuitamente: todos estão ali em função da narrativa, pura e exclusivamente. A inventividade visual não é gratuita e não se parece em nada visto nos filmes de super-heróis – talvez somente em longas de magia, como os da saga Harry Potter.

    Robert Downey Jr. pode até ter feito um excelente Homem de Ferro, mas esse filme deixa claro que Benedict Cumberbatch é, definitivamente, o melhor ator escalado para as adaptações dos quadrinhos da Marvel.