‘É um terror total’, diz Paulinho Boca de Cantor sobre área cultural do governo

    O cantor comentou sobre novos projetos e deu fortes opiniões sobre a política atual do Brasil

    Foto: Paola Alfamor/Divulgação

    O cantor e compositor Paulinho Boca de Cantor, que é um dos fundadores do grupo Novos Baianos, deu uma entrevista para Folha de S Paulo onde comentou sobre novos projetos e deu fortes opiniões sobre a política atual do Brasil.

    Ele afirmou que se interessa muito pela cena musical atual do país e  que o Brasil não valoriza seus artistas. “Um artista que já fez sucesso nos Estados Unidos, por exemplo, pode ficar anos sem fazer uma nova música e consegue se manter. Aqui, não dá pra viver de direitos autorais. Hoje, disco digital é um terror. Você vê que sua música tocou no Azerbaijão e chega [para você] R$ 0,0001. É um absurdo!”, disse.

    O cantor disse que já tomou as duas doses da vacina contra a Covid-19 e criticou quem é contra a vacinação. “Já vi muita gente dizer que é contra, mas na hora que a barra pesa, nego corre e vai lá se vacinar. Agora, quem é ideologicamente contra, aí sim, acho que precisa mesmo se vacinar dessa loucura. A gente tem visto essa ideologia torta, esse retrocesso, em várias áreas do Brasil hoje”, afirmou.

    Ele ainda fez críticas à gestão de Jair Bolsonaro na cultura. “É um terror total! Existe um emburrecimento aí por parte da área cultural do governo que é terrível. Estão discutindo outras coisas. Se discute mais religião e ideologia do que a própria cultura”, ressaltou.

    O artista afirmou que o país está muito careta. “Tá careta pra caramba [risos]! Se você olhar o que está acontecendo aí, não é brincadeira. Pra gente que já viveu o paz e amor, o amor livre, o sexo, as drogas, o rock ‘n’ roll e a liberdade dos grandes festivais, voltar para aquela coisa da família tradicional é horrível, né, bicho.”

    Para os fãs, ele contou que os Novos Baianos têm conversas sobre um documentário e uma série, além de um contrato com gravadora para fazer um disco de inéditas. “A Baby [do Brasil] pensa que a gente tem que ficar juntos, como era naquele tempo [quando o grupo morou em um sítio em Jacarepaguá, na década de 1970]. Brinco que só se for no Copacabana Palace ou no Fasano [risos], porque já chega daqueles momentos loucos, barra pesada que a gente teve que enfrentar.”

    Ele ainda afirmou que não vê a hora de poder subir ao palco para se apresentar presencialmente no pós-epidemia. “Quero fazer um show maravilhoso e receber todo mundo no camarim depois para aquele abraço fraterno, sabe? E também reencontrar a família, poder abraçar e ficar todo mundo pertinho.”