Transformar o universo criado por Anitta nos álbuns que deram origem à Equilibrivm Tour em uma experiência para milhares de pessoas exigiu mais do que montar palco, luz e som. Por trás da turnê estão o Grupo Onda e o Grupo Rodamoinho, responsáveis por levar o conceito pensado pela cantora para cinco capitais brasileiras.
Em entrevista exclusiva ao bahia.ba, Daniel Trovejani, sócio do Grupo Rodamoinho, e Diogo Duílio, sócio do Grupo Onda, detalharam os bastidores da operação, os desafios logísticos e a decisão de ampliar a experiência do público para além do momento em que Anitta sobe ao palco.
A turnê pelo Brasil será encerrada neste sábado (29), em Salvador, no Centro de Convenções. Para Daniel, a escolha da capital baiana para fechar a sequência carrega também um peso que ultrapassa a logística de uma turnê.

“O público de Salvador é apaixonado e conectado com o universo da Anitta, isso por si só já muda a temperatura do show. Some a isso a relação histórico-cultural que a cidade tem com os temas da Equilibrivm, e o encerramento ali ganha um peso simbólico que nenhuma outra praça da turnê tinha como oferecer”, afirmou.
Do conceito de Anitta para uma turnê
O Grupo Rodamoinho, responsável pelo gerenciamento da carreira de Anitta, concentra a construção artística e criativa do projeto. Já o Grupo Onda atua na realização e operação da turnê, transformando as ideias em uma estrutura capaz de circular por diferentes cidades.
Segundo Diogo, o principal desafio foi evitar que o conceito dos álbuns se tornasse algo distante de quem acompanha o show.

“A solução passou por pensar a turnê como uma jornada completa, e não como um show acompanhado de experiências paralelas. Isso exigiu que conceito, produção e experiência estivessem alinhados em todos os momentos, criando uma narrativa única”, explicou.
Além disso, nos bastidores, essa construção começa meses antes da abertura dos portões. Escolha de fornecedores, contratação de equipes técnicas, negociação com espaços e transporte da estrutura entre as cidades estão entre as etapas necessárias para manter o padrão do projeto.
“Cada cidade tem suas particularidades de infraestrutura, público e fornecedores locais, e precisamos respeitar essas diferenças sem perder a coerência do projeto como um todo. Quando o público entra no evento e sente que tudo está no lugar certo, é porque muita gente trabalhou muito para que parecesse simples”, disse Diogo.
Nesse processo, Daniel acrescenta que a experiência acumulada com os Ensaios da Anitta ajudou a construir esse modelo de operação.
“Sabemos antecipar onde a logística vai apertar e como manter o padrão mesmo trabalhando com equipes locais diferentes em cada praça. É esse trabalho de bastidor que garante que a identidade da turnê se mantenha de ponta a ponta”, afirmou.
Vila Equilibrivm amplia experiência em Salvador
Um dos principais diferenciais da turnê acontece antes mesmo do show. Entre 14h e 17h, o público poderá participar da Vila Equilibrivm, espaço com 14 experiências relacionadas a bem-estar, autoconhecimento e práticas que dialogam com o conceito dos trabalhos mais recentes de Anitta.
A programação inclui meditação, sound healing, kundalini, Qigong, tarô, mapa astral, dança circular, zen dance e outras experiências. A curadoria é assinada pela Virada Zen.

Segundo Daniel, a criação da Vila partiu da própria Anitta e não surgiu apenas como uma tentativa de acompanhar uma tendência do mercado de entretenimento.
“Ela queria uma experiência imersiva, em diálogo direto com os temas de autoconhecimento e cura dos discos que batizam a turnê. É como se a Vila fosse a continuação do que se apresenta no palco, não um complemento à parte. Foi um movimento genuíno da parte dela”, explicou.

Para Diogo, essa mudança também reflete uma transformação na maneira como o brasileiro consome grandes eventos. “Há 10 anos, um grande show se justificava pelo artista no palco e pela energia coletiva. Isso ainda importa, mas hoje não é o suficiente, já que as pessoas querem saber o que vão viver além da música.”
O empresário acredita que o público passou a buscar uma experiência que comece antes da apresentação e permaneça depois dela.
“Querem sentir que aquele evento foi pensado para elas, não só produzido para um público genérico”, completou.
Experiência pode influenciar novos eventos
Para o Grupo Onda, a Equilibrivm Tour também deixa aprendizados que devem aparecer em outras produções. Diogo destaca principalmente a necessidade de construir conceito e operação de forma simultânea.
“Quando você começa a produção sem ter clareza total sobre a experiência que quer entregar, os ajustes ao longo do caminho custam caro, em questões de tempo, dinheiro e coerência criativa”, avaliou.
Outro diferencial, segundo Diogo, foi a participação de profissionais que normalmente não fazem parte da estrutura tradicional de grandes shows. Terapeutas, profissionais ligados ao bem-estar e representantes de práticas ancestrais passaram a dividir espaço com equipes tradicionalmente presentes em eventos musicais.
Para Diogo, entretanto, o principal aprendizado está na possibilidade de transformar diferentes etapas de um evento em uma única experiência.
“Quando construímos um evento onde cada momento prepara o próximo, a Vila leva ao show e o show completa o que a Vila começou, cria-se algo que as pessoas não esquecem. Esse é o padrão que queremos levar para os próximos projetos”, concluiu.

