Escritor Dalton Trevisan, o ‘Vampiro de Curitiba’, morre aos 99 anos

    Parananense é considerado um dos maiores contistas brasileiros do século 20

    Foto: Reprodução/Prefeitura de Curitiba

    Um dos maiores contistas brasileiros do século 20, o escritor Dalton Trevisan morreu aos 99 anos. A informação foi confirmada por uma agente do autor nesta segunda-feira (9).

    Conhecido pelo apelido de “Vampiro de Curitiba”, ele morreu em casa, de acordo com o jornal O Globo. A causa não foi divulgada para manter a privacidade.

    Nascido em Curitiba, no Paraná, em 14 de junho de 1925, filho de um proprietário de fábrica de vidros, Trevisan se destacou no gênero conto. Em suas quase oito décadas de carreira, venceu todos os grandes prêmios da literatura brasileira (Jabuti, Machado de Assis, Biblioteca Nacional) e lusófona (como o prestigioso Camões, pelo conjunto da obra, em 2012). Entre 1945 e 2023, publicou cerca de 50 obras, marcadas por um estilo minimalista e a repetição de temas, como a solidão, a angústia e a complexidade da vida urbana.

    Em 2025, ano de seu centenário, a Todavia passará a publicar toda a sua obra. Além disso, a editora prepara também uma antologia de contos, organizada por Felipe Hirsh e Caetano Galindo. O livro será lançado em junho e ainda não tem título.

    O apelido “Vampiro de Curitiba” surgiu em referência a um dos seus personagens, que aparece pela primeira vez em uma obra homônima publicada em 1965.  Mas a alcunha também tem origem na sua personalidade folclórica, com aversão a fotos e entrevistas. Nos anos 1970, uma repórter de televisão tentou uma entrevista com o escritor e foi recebida por um senhor atencioso e gentil, que a mandou esperar por Trevisan.

    Durante a longa conversa com a jornalista, o homem sempre reforçava que o escritor estava a caminho. No fim, era o próprio Trevisan, pregando uma peça na imprensa. A distância da mídia alimentou a fama de “recluso”, sempre rechaçada por amigos e próximos.