Publicado em 08/07/2026 às 10h52.

Espetáculo infantojuvenil resgata heroínas da Independência da Bahia

"Meninas Contam a Independência" transforma a história do Dois de Julho em uma peça-jogo interativa a família

João Lucas Dantas
Foto: Divulgação

O espetáculo infantojuvenil “Meninas Contam a Independência”, da A Panacéia – grupA de teatro, retorna aos palcos de Salvador para uma temporada especial em homenagem ao Dois de Julho. As apresentações acontecem nos dias 19 e 26 de julho e 2 de agosto, sempre às 11h, no Teatro Módulo, convidando crianças, jovens e famílias para uma experiência teatral interativa que resgata o protagonismo feminino na Independência da Bahia. A temporada também celebra os 18 anos da companhia.

Indicado como Melhor Espetáculo Infantojuvenil de 2024 no Prêmio Bahia Aplaude, o espetáculo transforma o palco em um grande jogo de tabuleiro, no qual cada desafio revela capítulos da luta pela Independência do Brasil na Bahia. De forma lúdica, participativa e imprevisível, a montagem apresenta personagens como Joana Angélica, Maria Felipa, Maria Quitéria, Urânia Vanério e a simbólica Cabocla, aproximando o público da história e da identidade baiana.

A trama começa quando duas atrizes encontram um misterioso jogo de tabuleiro. A partir desse encontro, embarcam em uma missão repleta de enigmas, desafios e canções, mostrando que coragem, inteligência e liderança podem estar presentes em qualquer menina.

“Uma missão eu te dou agora

Aceite e não vá embora

Veja bem que uma heroína

Pode estar em qualquer menina.”

Mais do que narrar acontecimentos históricos, “Meninas Contam a Independência” convida o público a participar ativamente da história, fazendo de cada sessão uma experiência única. A montagem reúne teatro, música, brincadeiras e interação para apresentar o processo de Independência de forma leve e envolvente, estimulando o pensamento crítico e valorizando o papel das mulheres na conquista da liberdade na Bahia.

Em pouco mais de um ano em cartaz, o espetáculo já passou por escolas, hospitais, teatros e espaços culturais, além de integrar festivais como o Festival Internacional de Guaramiranga (CE), o FIAC – Festival Internacional de Artes Cênicas da Bahia e o FIGA, consolidando-se como uma das produções infantojuvenis de maior destaque da cena teatral baiana.

Os próximos passos da montagem incluem participação na Mostra Sesc de Artes para Infância, em Campina Grande (PB), além da circulação estadual “Refazendo a Rota da Independência”, que percorrerá cidades marcadas pelas lutas da Independência na Bahia, e da Circulação Nordeste, por unidades do Banco do Nordeste Cultural na Bahia, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará.

Com direção de Lara Couto, dramaturgia de Ana Luisa Fidalgo e Camila Guilera, e atuações de Camila Guilera e Márcia Limma, o espetáculo reúne música original, humor, poesia e recursos cênicos que transformam o aprendizado da história em uma aventura para espectadores de todas as idades.

A Panacéia completa 18 anos de trajetória

Fundada em 2008, em Salvador, a A Panacéia – grupA de teatro construiu uma trajetória marcada pela criação autoral, pela pesquisa sobre mulheres invisibilizadas pela história e pela defesa da equidade de gênero. Formada atualmente por Ana Luisa Fidalgo, Camila Guilera, Fernanda Beltrão, Lara Couto e Márcia Limma, a companhia reúne mulheres em todas as etapas de seus processos criativos e desenvolve projetos que unem arte, memória e transformação social.

A estreia do primeiro espetáculo, “Dorotéia”, de Nelson Rodrigues, ocorreu em 2010, com direção de Hebe Alves, marcando o início de uma trajetória premiada. A montagem recebeu o Prêmio Myriam Muniz de Teatro, circulou pelo interior da Bahia e integrou as comemorações do centenário de Nelson Rodrigues promovidas pela Funarte. Também conquistou o Prêmio de Inovação e Criatividade no Festival Teatral Koufar, em Minsk, na Bielorrússia.

A partir de 2011, o grupo passou a investir em dramaturgias próprias, criando espetáculos como “Lua Caída”, “Lua Crescente”, “Lua Cheia” e “Nenhuma Carta”, apresentados em festivais nacionais e internacionais. Nesse período, também participou da fundação do Colectivo Âmbar, rede latino-americana de artistas e gestores culturais.

Nos últimos anos, a pesquisa sobre mulheres apagadas da história resultou em montagens como “EU PAGU”, inspirada na escritora Patrícia Galvão (Pagu), e “Filipa”, que retrata a trajetória de Filipa de Souza, perseguida pela Inquisição por sua orientação afetiva. Em 2024, o espetáculo recebeu o 12º Prêmio Ordem do Mérito Cultural da Diversidade LGBT+, concedido pelo Grupo Gay da Bahia.

Voltada também para o público infantojuvenil, a companhia criou os espetáculos “200+1 – As Heroínas da Independência” e “Meninas Contam a Independência”, ambos dedicados a apresentar, de forma acessível e lúdica, as histórias das mulheres que participaram das lutas pela Independência do Brasil na Bahia.

Em 2026, A Panacéia ampliou sua atuação ao coorganizar a primeira edição da Mostra Baía de Vozes Insurgentes, iniciativa que levou ao Fringe do Festival de Curitiba seis espetáculos solos de atrizes baianas, reafirmando seu compromisso com a valorização da produção artística feminina.

Além da criação de espetáculos, a companhia desenvolve cursos, oficinas e atividades formativas para mulheres e meninas, utilizando o teatro como ferramenta de fortalecimento da autoestima, da construção coletiva e da valorização da memória histórica. Ao longo de quase duas décadas, A Panacéia consolidou-se como uma das principais referências do teatro feminista brasileiro, aliando pesquisa, criação artística, formação cultural e ativismo em defesa da representatividade e dos direitos das mulheres.

João Lucas Dantas
Jornalista com experiência na área cultural, com passagem pelo Caderno 2+ do jornal A Tarde, Viva Comunicação Interativa, Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Salvador e portal Bahia Econômica. Atualmente, é repórter de Cultura no bahia.ba. Contato: jlucas9915@gmail.com

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