Famosos pedem boicote a Julio Cocielo após tweet racista

    Artistas usaram as redes sociais para recriminar as atitudes do youtuber que só no Instagram tem mais de 11 milhões de seguidores

    Reprodução: Instagram

    Bruno Gagliasso e Giovanna Ewbank se juntaram a um grupo de famosos que pedem boicote ao youtuber Julio Cocielo por conta de um comentário racista em suas redes sociais.

    Bruno, que desde a chegada da pequena Titi na família vem sendo ainda mais atuante na luta contra o racismo, usou o perfil no Instagram para pedir um posicionamento dos famosos que ainda seguem e apoiam o comportamento de Cocielo e alertar os mais de 11 milhões de seguidores do youtuber, através de um texto escrito pela jornalista e militante Isabela Reis.

    “[…] São todas as pessoas que ainda estão apoiando diretamente um influencer assumidamente racista. Temos que cobrar posicionamento das marcas que o patrocinam, é claro. Mas são os outros famosos que ainda o segue e, principalmente, as pessoas comuns, anônimas, que verdadeiramente me preocupam. Apoiar uma pessoa racista é ser conivente, sim. Preconceito não se combate sozinho. Vamos precisar de todo mundo. A mensagem precisa ser clara e direta”.

    #Repost @belareis ・・・ Você tem noção do que são 11 milhões e 200 mil pessoas? Eu ajudo. É a população inteira da Bélgica. É um milhão a mais do que a população de Portugal. São 143 Maracanãs lotados. São todas as pessoas que AINDA estão apoiando diretamente um influencer assumidamente racista. Temos que cobrar posicionamento das marcas que o patrocinam, é claro. Mas são os outros famosos que ainda o seguem e, principalmente, as pessoas comuns, anônimas, que verdadeiramente me preocupam. Apoiar uma pessoa racista é ser CONIVENTE, sim. Preconceito não se combate sozinho. VAMOS PRECISAR DE TODO MUNDO. A mensagem precisa ser clara e direta. Num mundo digital em que seguidor significa dinheiro e carreira, a gente precisa entender a importância do BOICOTE. Principal instrumento de revolução de Martin Luther King Jr, nos anos 60, nos Estados Unidos da segregação racial, durante o Movimento dos Direitos Civis. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀ As marcas só chegam até essas pessoas porque elas têm audiência, visibilidade, constroem um público que interessa para as empresas atingir. A RESPONSABILIDADE é de todos. Precisamos, é claro, cobrar as marcas mas também precisamos chamar atenção dos outros famosos que seguem/dão like/fazem parceria com essas pessoas racistas, machistas, LGBTfóbicas e gordofóbicas. É obrigação de todos nós CONSTRANGER e vigiar nosso círculo social. Educação antirracista não é somente pra criança, racismo não tem idade. A hora de aprender e ensinar é AGORA. ⠀⠀⠀⠀⠀ Vão lá no perfil (que eu me recuso a marcar aqui), vejam quem dos seus amigos e influenciadores favoritos seguem a pessoa e puxem a orelha de todo mundo. Na internet, seguidor é visibilidade e dinheiro. Não basta só cobrarmos as marcas, até porque daqui a pouco aparecem outras empresas com memória curta. A forma de colocar no ostracismo e minar a popularidade é fazendo quem que essas pessoas percam seu público, a grande propulsora do trabalho delas. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Não é um caso isolado. Não foi o primeiro, não será o último. A gente precisa atuar com quem realmente movimenta essa máquina: a audiência. RACISMO É UM PROBLEMA DE TODOS NÓS.

    Uma publicação compartilhada por Bruno Gagliasso (@brunogagliasso) em

    Já Giovanna preferiu compartilhar a mensagem da também atriz Samara Felippo, que teve seu post com a denúncia retirado do Instagram duas vezes. “Segunda do dia!!! Odeio ter que postar coisas tão repugnantes e tristes como essa… Mas é necessário!!! Ainda fico chocada como podem existir pensamentos como desse tipo de pessoa… Isso não é uma brincadeira e nunca foi!!! Isso é racismo!”, escreveu Ewbank.

    Segunda do dia!!! Odeio ter que postar coisas tão repugnantes e tristes como essa…mas é necessário!!! Ainda fico chocada como podem existir pensamentos como desse tipo de pessoa…isso NÃO EH UMA BRINCADEIRA E NUNCA FOI!!! Isso é RACISMO! #Repost @sfelippo ・・・ Vamos lá… próximo do dia: Nessa era de youtubers eu já disse aqui o pânico que tenho da influência que nossas crianças e adolescentes sofrem. Esse @cocielo eu nunca segui, talvez por isso nunca chegou a mim os milhares de tweets racistas, machistas, misógenos que ele escreveu. Alimentando o ódio contra as minorias, alimenta preconceito, faz piadas com crianças negras e ainda é “influenciador digital”. Medo, muito medo do nosso caminho pensando nesses “influencers” que sequer conseguem enxergar a sociedade que vivem. O que eu desejo @cocielo é que você, assim como essa era de influenciadores digitais tão queridos, reflitam e exerçam esse dom num lugar de sabedoria e bem ao próximo. Pelo futuro de uma geração. Por uma sociedade mais igualitária, menos homofóbica, racista, machista, intolerante. Nos ajude, vc pode!! Eu tenho esperança. Mas é preciso falar!!! A luta é diária para que isso acabe! ✊ Não é piada!!!!!! Nem “antigamente” era piada!!! Nunca foi e nunca será piada!! Uma publicação compartilhada por Giovanna Ewbank (@gio_ewbank) em

    Nos comentários de ambas as postagens, famosos como Gaby Amarantos, Marcus Majella, Maria Gadu, Bela Gil, Ingrid Guimarães e Pedro Scooby criticam as brincadeiras.

    Do sábado (20) para cá, o youtuber apagou cerca de 50 mil tweets das suas redes sociais e perdeu patrocinios de grandes marcas como Coca-Cola e Itaú. Ainda não se sabe em quanto foi o prejuízo do influencer por conta da ‘brincadeira’, mas cada diária de Cocielo para qualquer trabalho não saia por menos de 50 mil.