Publicado em 05/08/2026 às 16h39.

Felipe Poeta aposta em EP autoral e revela relação com a Bahia

DJ e produtor conta como experiências em Salvador influenciaram seu novo trabalho autoral

Marcos Flávio Nascimento
Foto: Divulgação

 

A ideia de transformar uma única noite em música deu origem ao novo trabalho do DJ e produtor Felipe Poeta. Filho da apresentadora Patrícia Poeta e do diretor televisivo Amauri Soares, o artista lançou recentemente o EP Clubber’s Fever, projeto que acompanha, faixa a faixa, a evolução de uma festa, do pôr do sol ao after, em uma narrativa construída por meio da música eletrônica.

Em entrevista ao bahia.ba, Felipe revelou que a inspiração surgiu de forma espontânea, durante um passeio entre amigos que acabou se transformando em uma verdadeira maratona por diferentes ambientes e sonoridades.

“A ideia do EP veio depois de uma tarde com os amigos. O plano era ver só o pôr do sol na praia, mas a noite foi se estendendo, a gente foi indo de um lugar para o outro”, conta.

Segundo ele, a experiência lembrou o romance A Morte e a Morte de Quincas Berro D’Água, de Jorge Amado, em que o protagonista percorre diversos pontos da cidade ao longo de uma única noite.

“Parecia até o livro A Morte e a Morte de Quincas Berro D’Água. Fui acompanhando meus amigos e escutando o que estava acontecendo musicalmente em cada lugar. Daí veio a ideia de criar um EP que acompanhasse uma noite inteira”, afirma.

Gravação ao vivo reforça narrativa do projeto

Ao contrário da maioria das produções eletrônicas feitas em estúdio, Clubber’s Fever foi gravado em formato de live set, com grande parte das performances executadas ao vivo.

Para Felipe, a proposta ajuda a tornar a experiência mais orgânica e aproxima o ouvinte da sensação de estar em uma pista de dança. “O live set pode soar mais contínuo em questão de história. Como tudo é criado ao vivo, a gente consegue focar muito em construir uma narrativa”, explica.

A ideia é que cada faixa represente um momento específico da noite, acompanhando a mudança de energia conforme a festa avança.

MPB e música eletrônica dividem espaço na carreira

Além da carreira autoral, Felipe também integra a equipe de produtores do projeto Chico 2.0, que revisita a obra de Chico Buarque em novas interpretações.

Embora os universos pareçam distantes, ele garante que existe um elo entre os dois. “A MPB e a música eletrônica têm uma coisa em comum na minha vida: a produção musical”, afirma.

Segundo o produtor, o interesse pela música começou ainda na infância, quando aprendeu a tocar guitarra. Depois veio o desejo de gravar os próprios instrumentos, o que acabou abrindo caminho para o universo da produção.

“Meu interesse por música sempre me levou para esse lugar de produzir diferentes estilos. Música é uma coisa linda porque a gente nunca para de aprender”, diz.

Bahia ocupa lugar especial na agenda

Apesar de morar no Rio de Janeiro, Felipe afirma que a Bahia está entre os lugares onde mais gosta de se apresentar. O produtor já passou por Salvador, Vitória da Conquista, durante o Festival de Inverno Bahia, e também tocou no Carnaval.

“Sempre que eu toco na Bahia, tenho vontade de ficar mais. Amo tocar em Salvador e em Vitória da Conquista. É uma pista de dança que recebe muito bem esse gênero de música”, afirma.

Vida pessoal longe dos holofotes

Discreto quando o assunto é vida pessoal, Felipe evita comentar a exposição que naturalmente acompanha o fato de ser filho de Patrícia Poeta. Em entrevistas anteriores, o produtor já afirmou que prefere ser reconhecido pelo trabalho desenvolvido na música, construindo uma trajetória própria como DJ, produtor e instrumentista.

No bahia.ba, ele preferiu concentrar a conversa no processo criativo e deixou um conselho que, segundo ele, carrega desde o início da carreira.

“Um produtor me disse uma vez: faça sempre algo que deixe sua versão criança feliz. Enquanto aquilo continuar fazendo sentido para quem você era quando começou a fazer música, você estará no caminho certo”, afirma.

Marcos Flávio Nascimento
Jornalista com experiência em cidades, política, entretenimento e comunicação digital. Atuou no iG, além de passagem pela Approach Comunicação, com foco em conteúdo de negócios, tecnologia e investimentos. Foi coordenador de comunicação na SECIS/Prefeitura de Salvador e assessor parlamentar, liderando equipes e estratégias de conteúdo. Atualmente, é repórter no portal Bahia.ba e Portal Esfera.

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