Flip tem recorde de autores negros e mulheres: ‘Não é cota’, diz curadora

    Joselia Aguiar, pela primeira vez na função, disse que, durante as escolhas, montou "uma espécie de Tinder imaginário"

    Conceição Evaristo é uma das atrações da festa, que homenageia Lima Barreto (Foto: Divulgação)

    A 15ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) tem um número recorde de autoras e autores negros em sua programação: eles são 30% dos convidados.

    No entanto, Joselia Aguiar, curadora do evento pela primeira vez, fez questão de afirmar que não se tratam de cotas. “Eu gosto de explicar isso porque as pessoas podem pensar: ‘Ah, então foi uma cota!’. Não é nada disso, foi o contrário”, disse, em entrevista ao G1.

    “Quando as pessoas pensam que houve cotas, fica parecendo que eu reservei um lugar, e não era o caso. O que eu fiz: comecei a pensar nos autores negros, nas autoras negras, e brancos e mulheres e homens… Pensei em forma de muitas listas. Brinco que montei uma espécie de Tinder imaginário”, completou Joselia.

    A curadora explica que, a partir das combinações, é que “no final consegui ter os 30% e ter também a paridade de gênero: 24 mulheres e 22 homens”.

    Segundo ela, “isso aí eu tive de tomar conta, porque você acaba recebendo mais sugestões de autores homens, no sentido de que os editores publicam mais homens, os homens historicamente escreveram mais, publicaram mais, foram mais premiados e ainda por cima viajam com mais prontidão”.