João Reis: ‘Na média, as prisões de hoje são piores que as senzalas’

    O historiador baiano recebe nesta quinta-feira (20) o Prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras, uma das principais honrarias do país

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    O historiador baiano João José Reis, referência mundial para o estudo da história da escravidão no século 19, professor da Universidade Federal da Bahia e doutor pela Universidade de Minnesota, recebe nesta quinta-feira (20), às 17h, o Prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras, uma das principais honrarias do país, em cerimônia no Salão Nobre do Petit Trianon, no Rio de Janeiro.

    Reis é autor de clássicos como “Rebelião escrava no Brasil: a história do Levante dos Malês” e “A morte é uma festa: ritos fúnebres e revolta popular no Brasil do século XIX” (Companhia das Letras) e comentou, em entrevista ao jornal O Globo, o fato de a população carcerária nacional ser composta por mais de 60% de negros – o que levou a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) a comparar as prisões às senzalas.

    “Eu acho que, na média, as prisões brasileiras são piores do que foram, na média, as senzalas. Pense bem, os escravos eram propriedade, tinham valor monetário, precisavam ser preservados. Os presos pobres são descartáveis, essa é a impressão que fica. Não falo dos presos brancos de colarinho branco, que são alojados em celas especiais. Aliás, você conhece quantos pretos de colarinho branco presos? Tem algum nos cárceres da Lava Jato? Eis mais um índice, embora enviesado, da desigualdade racial no Brasil”, disse.