Kisser barra irmãos Cavalera no Sepultura: ‘Afinidade nenhuma’

    O guitarrista acredita que a banda está melhor sem eles: "O Sepultura evoluiu de uma forma absurda nesses últimos 20 anos"

    Foto: Divulgação

    Andreas Kisser, guitarrista do Sepultura, banda que se apresentou no Rock in Rio pela primeira vez em 1991 e tocará no evento de novo este ano, falou sobre as mudanças nos últimos 26 anos e refutou a possibilidade de se unir novamente aos irmãos Max e Igor Cavalera.

    “Se for fazer, seria só por dinheiro mesmo. E por esse motivo eu não faria (risos). Porque vontade de tocar com eles e de ter uma relação eu não tenho nenhuma”, disse, em entrevista ao G1.

    No final do ano passado, Max revelou ao mesmo site que, por ele, rolaria o revival: “A gente tentou [uma reunião] muitas vezes, mas não rola nada. Eles não querem fazer, são muito fechados. (…) Por mim, eu faria, acho que é um lance legal”.

    Mas Kisser é enfático e acredita, inclusive, que a banda vive hoje um momento muito melhor. Ele diz: “Não existe afinidade nenhuma. Eles estão fazendo uma coisa completamente diferente, com conceitos diferentes. Eu acho que o Sepultura evoluiu de uma forma absurda nesses últimos 20 anos. Com outros membros, viajando, conhecendo lugares diferentes, trabalhando com personagens diferentes, não só dentro da banda com músicos, mas empresários e gravadoras. A gente está num lugar muito melhor hoje em dia”.

    E mais: “Acho que não tem mais sentido nenhum. Fazer as coisas por dinheiro dessa forma não tem nada a ver com arte. Pode ser muito decepcionante para os fãs ver a banda subir ao palco numa situação de animosidade, sem conexão real entre os músicos. Eu já vi outras reuniões assim que não funcionam dessa forma”.

    Sobre desentendimentos com os irmãos, ele afirma: “Infelizmente a gente não tem uma relação saudável e positiva com eles. A gente tem negócios para lidar ainda. Tem muita coisa do passado – trilha sonora para filme, box de vinil que sai, enfim. E a relação é sempre muito difícil. Cada um vê o Sepultura de forma diferente. Respeito a forma que eles veem, mas obviamente não concordo, porque a gente tem outro objetivo para a banda”.

    E por fim: “Sepultura vai muito além de um certo período do tempo do nosso passado. A gente está muito vivo, muito ativo, fazendo coisas interessantes e coisas que com ele seriam impossível de fazer. Tanto tecnicamente, musicalmente, quanto intelectuamente. Então eu vejo uma forçação de barra tentar tocar juntos de novo para alimentar as expectativas de gente que nem conhecemos”.