Ministério tenta incluir Lito Sousa em estudo experimental nos EUA

    Influenciador enfrenta doença rara e sem cura; governo brasileiro busca acesso a pesquisa que testa tratamento para frear avanço da condição

    Foto: Reprodução / Instagram @lito

    O Ministério da Saúde entrou em contato com pesquisadores dos Estados Unidos para tentar incluir o influenciador e ex-piloto Lito Sousa em um estudo experimental contra a doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ). A condição é rara, provoca rápida deterioração neurológica e ainda não possui cura.

    A articulação foi confirmada nesta terça-feira (25) pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Segundo ele, o governo formalizou um pedido para que Lito seja avaliado para participar da fase inicial de um estudo clínico ligado a pesquisadores de Harvard.

    A mobilização ocorre após a família do influenciador buscar ajuda do governo brasileiro. Mila Seidl, esposa de Lito, revelou que procurou o Ministério da Saúde e o Itamaraty diante da rápida progressão da doença e da tentativa de encontrar alternativas experimentais no exterior.

    De acordo com Padilha, os responsáveis pela pesquisa informaram que Lito foi colocado na lista para triagem. A entrada no tratamento, no entanto, ainda não está garantida e depende dos critérios estabelecidos pelo protocolo científico e da regulamentação da Food and Drug Administration (FDA), agência sanitária dos Estados Unidos.

    Família busca acesso a tratamento experimental

    A corrida por uma alternativa ocorre enquanto o quadro de Lito avança. Segundo Mila, o influenciador já apresenta perda de visão e dificuldades de mobilidade, além de necessitar de cuidador e assistência domiciliar.

    Dois estudos foram apontados pela família como possíveis caminhos: o ION717, desenvolvido pela farmacêutica Ionis Pharmaceuticals, e o PRiSM, conduzido pelo Broad Institute, instituição ligada a Harvard e ao MIT.

    O Broad Institute confirmou que mantém contato com a equipe de Lito para avaliar as possibilidades. A família, porém, afirmou que a alternativa apresentada inicialmente seria a participação em um grupo de observação, sem acesso à substância experimental.

    Isso ocorre porque a inclusão em um estudo clínico não depende apenas da disponibilidade de vagas. Cada pesquisa estabelece previamente critérios para definir quem pode participar, quantidade de voluntários, divisão dos grupos e condições clínicas necessárias.

    Como funcionam as pesquisas

    Os dois estudos buscam atuar sobre o gene PRNP, responsável pela produção da proteína príon normal. Na DCJ, proteínas com estrutura anormal se acumulam e provocam danos progressivos às células cerebrais.

    O ION717 utiliza uma tecnologia que tenta reduzir a produção dessa proteína ainda na origem. A pesquisa começou a testar o medicamento em pacientes em 2024 e posteriormente avançou para um novo grupo de voluntários.

    Já o PRiSM está em uma etapa mais inicial e utiliza RNA de interferência para tentar diminuir a produção da proteína. A primeira fase de testes em humanos foi aberta neste ano e tem como principal objetivo avaliar a segurança da substância.

    Nenhuma das duas estratégias, até o momento, possui eficácia ou segurança comprovadas para o tratamento da doença. A expectativa dos pesquisadores é investigar se a redução da proteína pode desacelerar a progressão da DCJ, e não reverter os danos neurológicos já provocados.

    O que é a doença de Creutzfeldt-Jakob

    A doença de Creutzfeldt-Jakob é uma condição neurodegenerativa rara associada aos príons, proteínas que assumem uma forma anormal e podem provocar danos ao cérebro.

    A enfermidade costuma apresentar progressão rápida e pode comprometer funções como memória, visão, equilíbrio, coordenação e mobilidade. Atualmente, não existe tratamento capaz de curar ou interromper de forma comprovada sua evolução.

    Dados preliminares do Ministério da Saúde apontam que cerca de 1,6 mil casos suspeitos de DCJ foram notificados no Brasil nos últimos dez anos.