Maiara e Maraísa denunciam machismo no sertanejo

    Artistas contaram que já tiveram shows cancelados no dia da apresentação com a desculpa de que "mulher não traz público"

    Reprodução: Instagram/ Arquivo Pessoal

    Sucesso ao redor do Brasil com o sertanejo feminino, a dupla Maiara e Maraísa usou seu espaço de fala durante o ‘Altas Horas’ do último sábado (7) para denunciar o machismo na industria musical.

    As irmãs relataram a Serginho Groisman as dificuldades que enfrentaram no início da carreira por serem mulheres. “A gente chegava para tocar e o gerente do local falava: ‘Não tem show de vocês aqui hoje’. Cancelava na hora porque não tinha ninguém. A desculpa era sempre a mesma: ‘Mulher não traz público'”, declararam as artistas.

    Maiara ainda contou que por várias vezes precisou insistir para fazer o show. “A gente tinha que ficar insistindo e pagava para tocar, literalmente. A gente não escolheu fazer isso se desse certo. A gente vai fazer isso. Se der certo ou der errado, vamos fazer isso o resto da vida”.

    Quem também já desabafou sobre o machismo no sertanejo foi a cantora Roberta Miranda em 2017. A artista afirmou que o ritmo é um dos mais preconceituosos quando se trata da posição da mulher. “O sertanejo sempre foi o nicho mais machista da música. Nós temos muitos exemplos femininos no samba, na MPB, mas antes de mim, e agora das meninas, tínhamos poucos nomes de mulheres que fizeram carreira no sertanejo, como Inezita Barroso e Nalva Aguiar”, disse.

    Veterana na música sertaneja Miranda celebrou a abertura para novas vozes e representantes do ritmo. “Tenho orgulho de ver as novas cantoras ocuparem um espaço tão grande hoje”, afirmou em entrevista à revista ‘Veja’.