A gravação do primeiro audiovisual da banda The Play, realizada na Casa Privilege, em Ipitanga, Lauro de Freitas, ganhou um reforço de peso de última hora. Um dos convidados especiais do projeto, o cantor Malafaia revelou, em entrevista exclusiva ao bahia.ba, que aceitou participar praticamente sem planejamento e classificou o convite como um verdadeiro “direcionamento de Deus”.
Segundo o artista, tudo aconteceu em menos de 24 horas. Ele estava resolvendo compromissos no escritório quando recebeu uma mensagem da banda convidando-o para integrar o registro audiovisual, que aconteceria já no dia seguinte.
Mesmo diante do curto prazo, Malafaia contou que fez questão de reorganizar a agenda e consultar sua equipe antes de dar a resposta definitiva. O entusiasmo aumentou quando ouviu a música escolhida para a participação.
“Quando me mandaram a música, eu pensei: ‘Caramba, que música top’. Depois descobri que era de um grande amigo meu, Luciano Chaps. Aí falei: ‘Essa música caiu como uma luva, foi direção de Deus'”, contou.
A gravação marca um novo passo na trajetória da The Play, que escolheu Lauro de Freitas para registrar o primeiro projeto audiovisual da carreira, reunindo convidados e apostando em um repertório voltado ao pagode baiano.
“Só quem vive a favela pode contar essa história”
Durante a conversa, Malafaia também falou sobre a identidade das músicas que interpreta e defendeu que artistas oriundos das periferias são os mais preparados para retratar essa realidade.
Segundo ele, as composições carregam experiências vividas no cotidiano das comunidades, algo que, na visão do cantor, só pode ser contado com autenticidade por quem conhece essa realidade de perto.
“A gente nasceu e foi criado na favela. A gente conta a nossa realidade, o que vê ali, os mínimos detalhes. Só quem está dentro pode falar sobre isso”, afirmou.
Música como transformação
Para Malafaia, a música vai muito além do entretenimento. O cantor acredita que a arte tem papel social e pode transformar vidas. “A música salva vidas. Música é cultura, é arte. Tudo é música. Ela precisa ser feita com alegria, com coração e com verdade”, declarou.
O artista também defendeu o fim das barreiras entre diferentes gerações e estilos musicais, destacando que as parcerias entre artistas fortalecem a cena.
“Hoje a gente vê artistas mais antigos junto com a nova geração fazendo colaborações. Nos outros gêneros isso sempre aconteceu. No nosso também pode acontecer. A música é união”, disse.
Do rap ao pagode
Em um dos momentos mais pessoais da entrevista, Malafaia revelou que sua trajetória artística começou no rap, mas tomou um rumo inesperado. Segundo ele, a mudança para o pagode aconteceu de forma natural, algo que atribui ao propósito que encontrou na música.
“Eu sou nascido e criado no rap e caí de paraquedas no pagode. Mas acho que isso já vinha de Deus. Quando Deus fala que é assim, é assim. A música salvou a minha vida”, concluiu.

