Márcio Victor prepara álbum de rap com artistas baianos; saiba detalhes

    Cantor articula álbum colaborativo mirando premiação internacional

    Foto: Reprodução/Redes Sociais @psirico

    Márcio Victor está pronto para atravessar fronteiras musicais. Conhecido como uma das vozes mais populares do pagodão baiano, o vocalista do Psirico revelou que está trabalhando em um projeto totalmente voltado ao rap e ao trap, reunindo nomes da cena urbana da Bahia em um álbum coletivo.

    O anúncio foi feito durante uma conversa com o rapper e jornalista Tas MC, referência do rap nacional no estado. A ideia, segundo o cantor, é tirar o projeto do papel logo após o Carnaval, reunindo rappers, DJs, beatmakers, cantores e compositores em um trabalho que pretende ir além do circuito local.

    Márcio deixou claro que a proposta não é apenas dialogar com novos gêneros, mas disputar espaço no mercado global. O artista afirmou que o álbum nasce com ambição alta e mira reconhecimento internacional, incluindo grandes premiações da indústria da música.

    “Pós-carnaval eu vou fazer um projeto, estou lançando aqui de primeira, já chamei uma galera tanto do rap como do trap para a gente fazer uma junção e vir aí barbarizando. Se preparem que a gente vai fazer, sem pagar pau [sic] para os americanos, eles vão imitar a gente de novo”, declarou.

    O cantor também fez um chamado direto à cena urbana baiana, convidando profissionais de diferentes áreas da música para integrar o trabalho. “Atenção DJs, beatmakers, cantores, compositores, vamos reunir todo mundo para a gente fazer um discaço [sic] para ganhar Grammy e mostrar aos Estados Unidos como é que se faz esse negócio”, completou.

     

    Pontes, não rupturas

    Apesar de ser um movimento fora do universo tradicional do pagode, Márcio Victor destacou que o novo projeto nasce de afinidades históricas e sociais entre os gêneros. Para ele, rap, trap e pagodão compartilham vivências semelhantes, especialmente ligadas à periferia e às desigualdades sociais.

    “Na convivência dos defeitos sociais que a gente passa, isso me dá uma revolta como a do rap, como todos nós que somos da periferia. Não é sobre a tribo, é sobre a escolha de música, é sobre a minoria daquele povo”, afirmou.

    O artista também destacou o papel desses estilos como ferramentas de resistência, denúncia e valorização da negritude, defendendo a união entre movimentos culturais que nascem do mesmo território social.

    “O nosso canto de revolta, o nosso canto de dor, o nosso canto de força vem desse lugar. Não cabe mais a gente ver os terreiros sendo apedrejados e conviver com essa separação. Cadê respeito? Não é sobre divisões, é sobre unir”, disse.