
Lobão lança nesta quinta-feira (13) o seu quarto livro: “Guia Politicamente Incorreto dos Anos 80 Pelo Rock” (Ed. Leya). Ele, que já publicou a autobiografia “50 Anos a Mil”, o ensaio “Manifesto do Nada na Terra do Nunca” e o livro de reflexões “Em Busca do Rigor e da Misericórdia”, analisa agora, do seu ponto de vista extremamente pessoal, a década de 1980 e a relação do Rock Brasil com a assim chamada MPB.
O livro traz histórias que envolvem nomes como Cazuza, Ritchie, Marina Lima, Julio Barroso, Elza Soares, Caetano Veloso, entre outros. No quesito crítica musical, Lobão analisa, por exemplo, Maria Bethânia:
“Nada pessoal, mas acredito que Maria Bethânia seja uma das aberrações artísticas mais insuportáveis geradas pela música nativa. Ela faz parte daquele fenômeno típico, quando alguém, por ser esquisito, torna-se miseravelmente confundido com algo genial”.
Uma história de Cazuza, maconha e Aids:
“Cazuza está pele e osso, quase sem voz e roxo, inteiramente roxo, devido às doses cavalares de AZT. Ver um amigo assim, confesso a vocês, não é uma coisa fácil (…) Ele queria fumar maconha e cuspia na bagana e me obrigava a fumar aquela coisa toda babada, dizendo: ‘Não vai fumar? Vai ficar todo cagadinho aí com medo de pegar Aids da minha baba?’ E eu respondia algo pior: ‘Me dá essa porra aqui, sua bichinha traiçoeira!’ (e fumava, mas morrendo de medo)”.
Elza Soares – emoção:
“No dia seguinte, Elza chega direto do enterro do filho, adentrando o estúdio para o assombro de todos nós (…) O clima era de uma tristeza inexprimível, até que, de repente, a música começa a tocar (sem a minha voz), e a voz de Elza rasga o estúdio. Tenho certeza de que aquele momento foi a coisa mais emocionante e comovente que uma expressão musical já me causara e me causará”.
Metal – falsetes terríveis:
“É necessário ressaltar aqui que, com a exceção do Sepultura, acho a estética metal um tanto vascaína, circense e monotemática para meu gosto. (Acho um pouco repetitivo esse papo de satã, morte, inferno, apocalipse, pragas epidêmicas, sem falar naqueles cantores dando aqueles falsetes terríveis, parecendo empalados por um imenso caralho enterrado na bunda.)”.

