Musical estreia em Salvador com olhar sensível sobre infâncias LGBTQIAPN+

    Espetáculo terá temporada em abril no Teatro SESI Rio Vermelho, intitulado “Além do arco-íris”

    Foto: Caio Lírio/ Divulgação

     

    Estreia nesta sexta-feira (10), no Teatro SESI Rio Vermelho, a comédia musical “Além do arco-íris”, que propõe um olhar delicado e bem-humorado sobre as vivências de crianças LGBTQIAPN+. A montagem segue em cartaz até o dia 26 de abril, com ingressos disponíveis na plataforma Sympla. A classificação indicativa é de 14 anos.

    Partindo da ideia de que a infância é um período de descobertas, imaginação e acolhimento, o espetáculo também evidencia que, para crianças que fogem aos padrões impostos pela sociedade, essa fase pode ser marcada por silêncios, preconceitos e dores difíceis de nomear. É nesse lugar sensível que a narrativa se constrói.

    A proposta convida o público a revisitar memórias afetivas e abre espaço para que jovens e adultos que foram crianças LGBTQIAPN+ possam se reconhecer, se compreender e existir com mais liberdade. As sessões acontecem de sexta a domingo, sempre às 20h, com apresentação extra aos sábados, às 17h.

    A história se passa no quarto do pequeno Mike, onde a imaginação funciona como refúgio diante de uma realidade atravessada por pressões sociais. Com referências nostálgicas a programas como os de Xuxa, além de trilhas sonoras marcantes e recursos de videomapping, o espetáculo recria diferentes épocas — dos anos 1950 aos anos 2000 — e transforma o protagonista no apresentador de seu próprio programa de TV, onde suas memórias ganham forma de atrações.

    Riso e ridicularização

    Para o ator Marcos Barretto, que interpreta Mike, o papel representa um mergulho pessoal. Ao revisitar a infância nos anos 1990, ele reconhece tanto as dores quanto a responsabilidade de transformá-las em arte.

    “Na minha época, quando existiam pessoas da comunidade LGBTQIAPN+ em espaços de visibilidade, elas eram colocadas no lugar do riso e da ridicularização. Hoje, um menino gay que se percebe como tal tem referências que validam sua existência, e isso faz toda a diferença”, afirma.

    O ator destaca que o espetáculo promove uma reconexão com a criança interior e pode ajudar o público a ressignificar experiências do passado. “A peça pode ajudar muitas pessoas a fazerem as pazes com sua história e com pessoas importantes de suas vidas. Muitas vezes, familiares, mesmo tentando proteger, acabam ferindo. Isso aconteceu com muita gente, e trazer esse tema exige responsabilidade”, pontua.

    Montanha-russa emocional

    A montagem propõe uma experiência sensível e dinâmica, conduzindo o público por uma jornada de emoções — com momentos de leveza, humor e reflexão. A ideia é provocar identificação e ampliar o debate sobre questões relacionadas à comunidade LGBTQIAPN+.

    O autor e diretor Claudio Simões explica que a escolha das músicas buscou dialogar com diferentes gerações, permitindo que cada espectador encontre alguma conexão com sua própria infância. Ele cita o poeta Pablo Neruda: “O menino que não brinca não é menino, mas o homem que não brinca perdeu para sempre o menino que vivia nele”.

    A proposta também reforça a importância do acolhimento e da responsabilidade coletiva no enfrentamento à homofobia, incentivando reflexões sobre respeito, empatia e os limites das expectativas impostas sobre o outro.

    “Além do arco-íris” é uma realização da Multi Planejamento Cultural, com patrocínio via Programa de Isenção Fiscal Viva Cultura – Salvador, da Prefeitura de Salvador, por meio da Secretaria Municipal da Fazenda (Sefaz), Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Secult) e Fundação Gregório de Mattos.