Neta de Mandela diz que precisava marcar hora para ver avô

    Em entrevista ao "Conversa com o Bial" exibido nesta terça-feira (20), dia em que ativista completaria 100 anos, Zamaswazi lembrou a sua ausência

    Foto: Reprodução/TV Globo

    Nesta terça-feira (20), Dia da Consciência Negra e o dia em que Nelson Mandela completaria 100 anos, foi exibido no “Conversa com Bial” uma entrevista com Zamaswazi Dlamini-Mandela, neta do ativista sul-africano.

    No Brasil para o lançamento do livro “Cartas da Prisão de Nelson Mandela”, Zamaswazi se emocionou ao relembrar a trajetória do avô e dificuldade em manterem um vínculo. Após passar 27 anos preso, Mandela logo se tornou presidente.

    “Nós nunca tivemos a oportunidade de passar um tempo com ele. Porque logo depois ele se tornou presidente. Era preciso agendar um encontro”, contou.
    Desde cedo, a neta de Mandela aprendeu a conviver com a dualidade: ao mesmo tempo em que muitos o idolatravam, outros queriam “distância” da sua família.

    “Minha família era muito diferente. Nossa vida não era tão normal. Haviam crianças que não queriam falar com a gente. Alguns vizinhos queriam distância de nós. Desde muito jovem entendi o que é ser uma Mandela”, relembrou.

    Apesar da ausência, Zamaswazi admite que com o tempo, entendeu o tamanho do sacrifício e o significado da luta do avô. O perdão de Mandela a quem o prendeu, foi inspiração para ela também perdoá-lo:

    “Com o tempo, tive que reconhecer que a causa deles era muito maior. Vi que a vida em família precisava ser sacrificada. Se eles não agissem, quem agiria? […] Meu avô perdoou [o que fizeram com ele] assim que deixou a prisão. Se ele foi capaz, com certeza eu poderia também”, refletiu.