Pedro Pondé lança música que celebra cultura e identidade soteropolitana

    Parceria com João Xaxier e Fernando Macuna, "071" chega às plataformas em 23 de janeiro

    Foto: André Fofano/ Divulgação

     

    Inquietação, consciência e ancestralidade formam o eixo criativo de “071”, música que nasce da parceria entre Pedro Pondé, João Xaxier e Fernando Macuna. A faixa se constrói a partir de uma sonoridade potente, visceral e orgânica, que transita entre memória e celebração, profundamente conectada ao território de Salvador. O lançamento acontece no próximo dia 23 de janeiro, em todas as plataformas de streaming.

    Com letra assinada por Pedro Pondé, a canção surge como um gesto de afirmação cultural. Inspirada no documentário “Àkàrà – No Fogo da Intolerância”, “071” responde de forma direta às tentativas recorrentes e ineficazes de apagamento do candomblé da história brasileira, evidenciando a violência simbólica sofrida pelas culturas de matriz africana. Nesse contexto, a música se afirma como um ato de resistência, pertencimento e valorização cultural.

    O título faz referência direta ao encontro histórico entre o samba e o reggae, eternizado por Neguinho do Samba, e reverbera influências que atravessam gerações, como Bob Marley, MiniStereo Público, Olodum, Ilê Aiyê e o próprio BaianaSystem — grupos e artistas fundamentais para a renovação das formas de produção musical na Bahia. A homenagem se estende às Baianas de Acarajé, não apenas pelo alimento que nutre corpos e afetos, mas por representarem um símbolo vivo de resistência cultural, espiritual e política, profundamente ligado à história de Salvador, da Bahia e do Brasil.

    A construção sonora de “071” começou a tomar forma a partir de uma base criada por João Xaxier em seu home studio. Guitarras de identidade marcante e melodias precisas criam uma atmosfera que remete às Quintas Dancehall do MiniStereo Público e dialoga com a força criativa de projetos como o BaianaSystem. A entrada de Fernando Macuna acrescenta corpo e pulsação à faixa, com uma percussão vibrante e precisa, que se encontra com uma linha de baixo construída quase de maneira intuitiva. Desse encontro, a música ganha forma e dá liga à Liga 071.

    “Quando ouvi a base que João tinha gravado em casa, senti na hora que ali havia algo especial: as guitarras, os timbres, tudo se encaixava com muita identidade. A chegada de Macuna completou esse caminho — os tambores trouxeram pulsação e experiência. Sobre a letra, eu tinha acabado de assistir ao documentário Àkàrà e estava profundamente incomodado com artistas que, de forma inútil, insistem em tentar apagar o candomblé da nossa história. É um gesto criminoso e, sobretudo, impossível”, afirma Pedro Pondé.

    Gravada, mixada e masterizada no bairro da Liberdade, no Estúdio Aquahetz, “071” reforça o compromisso do projeto com a cadeia criativa local e com a história viva de Salvador. O lançamento é assinado pelo Selo Digital Ruffo.