‘Pode dar problema a quem tenta sair da Bahia’, diz Flavinho sobre letras polêmicas

    Cantor analisa o cenário atual do gênero em entrevista ao bahia.ba

    Foto: Tiago Viana

    O cavaquinho é o indicador de quem acompanhou de perto o nascimento do pagodão na Bahia. Se você reconhece o cavaquinho no início de uma canção, carimba porque o título de “pagodeiro nato” é seu.

    Essa é uma das características marcantes do pagode feito por Flavinho, que há 15 anos lançava alguns dos maiores sucessos do gênero, como ‘Ovo de Avestruz’ e ‘Sminorfay’.

    Em entrevista ao bahia.ba, o cantor fez uma análise do cenário atual do gênero na Bahia, e em tom de brincadeira, lamentou: “Só fico um pouquinho triste porque tiraram o meu cavaco do pagode, mas eu estou voltando com tudo! O cavaco não pode sair do pagode”.

    Para o artista, é nítida a evolução do gênero, que hoje tem diversos representantes além dos que já eram conhecidos na época, como Pagodart, Psirico, Harmonia do Samba, Parangolé etc. “Eu respeito bastante essa nova leva. Tudo tem uma evolução, no meu tempo eu comecei de uma forma e fui evoluindo. Graças a Deus já rodei esse mundão todo levando meu pagode por aí. Espero que essa geração nova, que eu sei que é muito boa e que tem muita gente educada, consiga levar o pagode para outros lugares também”, diz o cantor.

     

    Apesar do otimismo com o crescimento do ritmo, Flavinho alerta para um ponto importante e polêmico quando se fala do pagode: as letras explícitas.

    Veterano na música, assim como Diumbanda da Cia do Pagode, Flavinho acredita que é necessário uma atenção maior às letras das canções atuais. “Tem algumas bandas e cantores com o linguajar avançado, e acho que isso pode ser um pouco problemático para quem tenta sair da Bahia e conquistar outros espaços, conseguiu viajar o Brasil e o mundo”.

    O artista revela que faz vista grossa em seu repertório para não correr o risco de precisar tirar alguma música por causa disso. “Antigamente não me pediam repertório quando eu ia tocar. Tem algumas cidades que os produtores chegam e pede para ver antes. ‘Como é que tá o seu repertório? Essa música tem partes obscenas, então você não vai poder entrar com ela no show'”.

    Foto: Gilmar Souza
    Foto: Gilmar Souza

     

    Flavinho acredita que esse momento das canções “pesadas” também faz parte da evolução dos novos artistas, mas pondera que é preciso cuidado. “Essa nova geração, sem sentir, às vezes cria essa situação, sabe? E que não vai prejudicar só ele, mas prejudica também outros artistas do gênero. Quando eles forem entender isso, é provável que o tempo já tenha passado”.

    Segundo ele, a nova geração precisa entender que essa atitude pode não só ser prejudicial apenas para eles, como também para todo o movimento do pagode. “Mas acredito que isso, das músicas com o linguajar avançado, das palavras pesadas, também faz parte da evolução. Respeito bastante, contanto que trate todo mundo bem”.