Poema inédito de Hilda Hilst é descoberto em arquivo da Unicamp

    A pesquisadora Milena Wanderley já havia encontrado outro poema perdido da autora, da mesma época, que chegou a ser incorporado à coletânea "Da Poesia"

    Foto: Fernando Lemos / Instituto Hilda Hilst

    Um poema perdido de Hilda Hilst (1930-2004), escrito em 1949, foi descoberto pela pesquisadora Milena Wanderley, doutoranda em literatura pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). A informação é do colunista da Folha de S. Paulo, Maurício Meireles.

    Publicado originalmente em uma revista literária que nunca chegou a ser digitalizada, o texto foi escrito quando a autora tinha apenas 19 anos. A pesquisadora já tinha descoberto outro poema de Hilda, da mesma época, que chegou a ser incorporado à coletânea “Da Poesia” (Companhia das Letras) e no final de junho encontrou este, que ainda não tem previsão de ser impresso em livro.

    Leia o poema na íntegra abaixo:

    Fracassamos. Seremos os eternos fracassados.
    Mas daqui a sete mil anos
    abriremos as portas de todos
    os claustros e lá nos encerraremos.

    Seremos então os primeiros enclausurados
    puros,
    brancos,
    mãos brancas, rosto branco
    BRANCO – Ausência de amor.

    Não haverá sinos em nossos campanários
    (nem sinos, NEM AMOR)
    qualquer luz em nossas celas
    iluminará somente os livros
    de quotidiana meditação.

    Fomos improdutivos. Fomos estéreis.
    Naufragamos no mar da compreensão.
    Prostituímos ternamente as cousas
    que só nós entenderíamos.

    E nos tornamos eternos fracassados…

    Não haverá sinos em nosso campanários
    (nem sinos, NEM AMOR)