Presidente da FGM detalha ações para a valorização da cultura negra em sua administração

    Fernando Guerreiro revelou que o Espaço Cultural da Barroquinha será reinaugurado no início de setembro

    Foto: Gabriela Araújo/bahia.ba

    O presidente da Fundação Gregório de Mattos (FGM), Fernando Guerreiro, presente no Cine Glauber Rocha, em Salvador, na manhã desta quinta-feira (31), para o lançamento da programação do “Novembro Salvador Capital Afro”, falou sobre as ações da FGM para o mês de setembro, que marca a realização do Festival da Primavera na capital baiana, e que estejam relacionados com a valorização da cultura do povo negro.

    “A gente trabalha muito com a descentralização, ou seja, os editais da fundação têm uma um olhar muito grande sobre a questão da inclusão. No ano passado, a gente teve 73% da população preta ganhando os editais, então, a gente já tá fazendo essa inclusão, porque os agentes naturalmente já têm acesso à cultura”, argumenta o gestor”.

    Além disso, complementa. “Vem aí na Fundação, que tem tudo a ver com a cultura negra, a gente reinaugura a Barroquinha finalmente, com a grande programação que a gente deve fazer durante essa primeira semana de setembro, trazendo de volta o ‘Resistência Cabocla’, que é o espetáculo do Bando de Teatro do Olodum, que fez um sucesso enorme no Dois de Julho e muita gente não conseguiu ver. E o Centro Cultural da Barroquinha volta, inclusive, provavelmente, com a relação direta com o Bando de Teatro do Olodum. Já temo a Casa do Benin, que tem durante o ano inteiro, semana que vem tem a exposição de Mateus Aleluia, fantástica, estamos em cartaz com a exposição de Arlete Soares. Este ano dos 35 anos da Casa do Benin e o espaço cultural da Barroquinha, dois espaços voltados para a cultura negra”.

    Sobre o “Novembro Salvador Capital Afro”, Guerreiro destacou que esse projeto é o reconhecimento da contribuição dos afrodescendentes para a cultura de Salvador, a cidade mais preta do mundo fora do continente africano.

    “É um projeto maravilhoso porque é você organizar e potencializar a fisionomia da nossa cidade. Salvador é uma é a nossa grande capital afro, o nosso grande manancial de cultura que tá totalmente ligada a isso, a maior população negra do Brasil, talvez da América Latina. E se você pegar a cultura da nossa cidade, ela não existiria se não tivesse essa influência, então, eu acho que, na verdade, é um projeto maravilhoso que você traz durante um mês, você reforça, e, principalmente, você abre pro resto do ano. Porque o que eu considero mais interessante, além de marcar novembro como o mês chave, você vai abrindo projetos e programações que vão percorrer o resto do ano, porque se você pensar novembro negro no Brasil é janeiro, fevereiro, março aqui na Bahia, todos os meses. Então, eu acho que esse é o ponto fundamental e é bom que esteja marcando essa comemoração e deixando claro, Salvador é a capital afro do Brasil”, aponta.

    PL da Cota de Tela

    O presidente da FGM criticou a forma como a PL da Cota de Tela, que tramita no Senado e que não prevê a renovação da cota de tela no cinema e na TV por assinatura até 2043 e tirou as salas de cinema para serem contempladas pelo projeto.

    “Eu acho que é um equívoco, tem que ter essa cota nos cinemas também. A revolução que a cota da televisão fez no mercado é impressionante e nós não perdemos qualidade. Hoje o Brasil tem uma produção audiovisual que se compara a qualquer lugar do mundo, não é à toa que nos catálogos da das plataformas, os filmes brasileiros são muito vistos, as séries e tudo mais. Aí o ‘Cangaço Novo’, que é genial, magistral. Então eu acho que tem que vim pro cinema também. Vou fazer campanha, vou entrar nessa luta, porque eu acho que a gente tem que dominar esses espaços, não só por uma questão de reserva de mercado, mas também por causa da qualidade. […] Precisamos incentivar também o cinema de rua. Nós estamos [no Cine Glauber Rocha] em um dos últimos cinemas de rua de Salvador, eu acho que o cinema de rua é fundamental, importantíssimo, e também brigar pra não fechar os cinemas de shopping”.