‘Treemonisha’: primeira ópera escrita por um negro lança Núcleo em Salvador

    Com Gilberto Gil como patrono, a encenação marca a fundação do Núcleo de Ópera da Bahia, idealizado por Aldo Brizzi e Graça Reis

    Foto: acervo pessoal

    Como pedra fundamental do Núcleo de Ópera da Bahia, projeto idealizado pelo compositor ítalo-baiano Aldo Brizzi e a cantora baiana Graça Reis, a ópera “Treemonisha”, do norte-americano Scott Joplin, “o rei do ragtime”, a primeira escrita por um compositor negro (1911), será encenada na próxima terça-feira (29), às 19h, no Museu Nacional de Cultura Afro Brasileira (Muncab), no Centro Histórico, gratuitamente.

    Com versão em português e orquestração de Aldo Brizzi, “Treemonisha” será apresentada por um elenco de artistas negros, pela primeira vez no Brasil, tendo ainda figurino e cenário de Alberto Pitta e coreografia de Matias Santiago.

    Sobre a escolha de “Treemonisha” para iniciar as atividades do Núcleo de Ópera da Bahia, Aldo Brizzi destaca não apenas o fato de ela ser a primeira escrita por um negro, mas o próprio caráter da obra. “Joplin seguiu a forma da ópera tradicional: não faltam árias, coros e cenas de dança. Porém, devido às suas raízes afrodescendentes, toda a inspiração nasce unicamente do patrimônio do Novo Mundo, com melodias e ritmos da tradição afro-americana e do amado ragtime”, disse

    Padrinho do núcleo, o compositor Gilberto Gil também falou sobre a importância do evento: “‘Treemonisha’ chega agora ao Brasil e é muito importante. Fico satisfeito de fazer parte desse projeto”.

    Antes da apresentação, acontece a mesa-redonda “Um Olhar Negro nas Raízes Populares da Ópera”, que reúne Capinan, James Martins, Aldo Brizzi, Hebe Alves e João Carlos Oliveira (a confirmar), no mesmo local, às 18h. O objetivo do  Núcleo de Ópera da Bahia é possibilitar a produção constante do gênero no estado e colaborar para a formação de profissionais diretamente ligados a esse tipo de produção cultural, desde a classe artística: libretistas, compositores, diretores de cena, cantores, músicos e bailarinos, como também profissionais da área técnica: cenógrafos, iluminadores e técnicos de som.

    No dia 26 de janeiro de 2017, no Teatro Castro Alves (TCA), acontece uma récita de “Treemonisha”, também sob direção de Brizzi.