Prince, o inimigo do YouTube, ganha canal oficial um ano após sua morte

    O artista, que chegou a processar uma mulher que subiu um vídeo com os próprios filhos dançando "Let's Go Crazy" no site, agora faz parte da plataforma

    Foto: AP Photo/Chris O'Meara
    Foto: Divulgação
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    Prince, pouco mais de um ano após sua morte, em 21 de abril de 2016, está oficialmente no YouTube. Desde a última sexta-feira (7), cinco de seus clipes clássicos podem ser vistos no site, entre eles “When Doves Cry” e “Let’s Go Crazy”. O que não deixa de ser uma surpresa, já que se trata do artista que mais bateu de frente com a plataforma.

    Prince Rogers Nelson, um dos pioneiros da veiculação de música pela internet, que chegou mesmo a vender o álbum “Crystal Ball” exclusivamente pela rede ainda em 1998, tornou-se em seguida um feroz inimigo do sistema digital e principalmente do YouTube.

    O desrespeito aos direitos autorais foram a motivação da briga, semelhante à que ele empreendeu também contra as gravadoras e que o fez até mesmo abandonar o próprio nome por um período de sua carreira. Bem como aparecer com a palavra “slave” (escravo) escrita na face.

    O autor de “Purple Rain” até declarou a morte da internet para a veiculação de música, em uma entrevista de 2010, ao comparar a rede mundial de computadores à “ultrapassada” MTV: “Esses números todos não são bons para nós”.

    Até a época de sua morte, nenhum clipe de Prince e praticamente nenhuma faixa de seus discos podiam ser vistos ou ouvidos no YouTube. Uma equipe implacável era responsável por rastrear e eliminar qualquer vestígio de Prince da plataforma. Ele chegou mesmo a processar uma mulher que subiu um vídeo com os próprios filhos dançando ao som de “Let’s Go Crazy”.

    Porém, logo após a sua morte, as coisas começaram a mudar. O próprio YouTube se encheu de vídeos do artista (eliminados em seguida) e suas músicas passaram a fazer parte dos arquivos de programas de streaming como Spotify e Deezer.

    Administrada pelos herdeiros, a obra do artista deixa de ser uma arma de luta por respeito aos criadores e torna-se mais um item na prateleira dos negócios. Veja abaixo o clipe de “Baby I’Am A Star”: