Record é condenada a pagar R$ 50 mil por acusar jovem de matar moça carbonizada

    A Justiça concluiu que a emissora propagou fake news em nome do sensacionalismo midiático

    Foto: Record TV

    A 8ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo decretou que a Record TV terá que pagar R$ 50 mil a uma mulher que foi colocada pela emissora como suspeita de assassinar a vizinha no programa ‘Cidade Alerta’.

    O caso é de 2017, quando o apresentador Marcelo Rezende ainda apresentava a atração.

    De acordo com a colunista Patrícia Kogut, do jornal ‘O Globo’, a relatora Mônica de Carvalho assinou a decisão deixando claro que a jovem não estava sendo investigada pela polícia por causa do crime.

    O site ‘Notícias da TV’ aponta que a emissora terá que indenizar a moça em R$ 30 mil, e os pais dela, que tiveram a casa mostrada no programa em R$ 20 mil.

    A desembargadora concluiu que a Record propagou fake news em nome do sensacionalismo midiático.

    “A disseminação de informação falsa constitui inequívoco ato ilícito, expressamente previsto na lei civil, cabendo reconhecer a responsabilidade da ré pelas consequências advindas desse fato. Nesta era das fake news, reputações são destruídas e inverdades são divulgadas sem que os participantes dessa cadeia perniciosa se sintam minimamente responsáveis por sua conduta antissocial. É necessário colocar um freio a esse estado de coisas, repreendendo firmemente quem pratica tais atos”.

    O crime atribuído a jovem foi o da morte de Ana Paula, que foi queimada viva na frente do filho. A moça foi atraída para uma ponte de Guaratinguetá, na região do Vale do Paraíba, em São Paulo, onde foi morta.

    A criança foi jogada no rio, mas sobreviveu após ser socorrida por um motorista de ônibus.