Roque Araújo, lenda viva do cinema baiano, comemora 80 anos

    O cineasta, que participou de todas as produções de Glauber Rocha, tem um acervo de raridades incluindo câmeras e rolos

    Com Bertrand Duarte, companheiro de Dimas (Foto: Reprodução Facebook).

    O cineasta Roque Araújo, verdadeira lenda viva do cinema baiano, comemora 80 anos nesta quarta-feira (12), com uma celebração na sala Walter da Silveira (Barris), a partir das 19h. Na festa, que é aberta ao público, serão exibidos dois curtas de sua autoria “Caprinos e Ovinos” e “O Dendê”. E, na sequência haverá um bate-papo com o aniversariante, que acumula infinitas histórias vividas na pele, ou talvez seja mais adequado dizer na película, sobre a história do cinema baiano e nacional.

    A celebração conta com apoio da Diretoria de Audiovisual (Dimas), em que Roque é coordenador do Núcleo de Apoio à Produção. Bertrand Duarte, diretor do órgão, usou o Facebook para convidar todos e expressar sua admiração pelo colega. “Esse rapaz completará 80 anos de vida na próxima quarta. Roque Araújo é a representação memorial do kinema brasileiro. Em sua história de vida testemunhou o surgimento e trajetória de personagens, desde os mais simples, aos mais icônicos. Sua contribuição é inestimável. (…) Venha comemorar com ele esta caminhada de coragem, perseverança e sucesso”, escreveu. Ao bahia.ba o ator declarou ainda que, além do bate-papo, os presentes poderão “bebericar algo” na companhia do homenageado.

    Rapidamente, outros nomes ligados ao cinema e à cultura em geral se manifestaram. “Parabéns Roque Araújo, você é o caboclo do cinema brasileiro”, disse o cineasta Henrique Dantas. E o ex-ministro da Cultura, Juca Ferreira, também saudou: “Parabéns! Tudo de bom Roque”. E foi dessa interatividade que surgiu uma nova possibilidade, que partiu de sugestão do cineasta Jorge Alfredo: a exibição do longa “No Tempo de Glauber” (1986), filme revelador feito com “as sobras” de “A Idade da Terra”, último filme de Glauber Rocha, de cujas produções Roque participou em todas (exceto “O Pátio”).

    A história de Roque Ferreira, que desde os 20 anos não faz nada que não esteja ligado à sétima arte, é, em si mesma, um roteiro épico. De eletricista do Teatro Castro Alves, ele caiu de paraquedas em “Redenção” (1958), primeiro longa-metragem baiano, a convite do diretor Roberto Pires, e nunca mais saiu de dentro de trás, do cuidado com as câmeras. Aliás, seu acervo de raridades inclui mais de 1,5 mil equipamentos reunidos por quase 60 anos. Entre as peças, a primeira câmera Super 8 de Edgard Navarro, a câmera 35mm com que José Umberto dirigiu “O Anjo Negro”, nos anos 1970, e Agnaldo Azevedo fez inúmeros filmes, dentre os quais “Capeta Carybé”.

    Poder celebrar junto com ele, privar de seu papo e sua memória, é um oportunidade que não pode ser descartada. Estão todo convidados.