Com quase quinze minutos de atraso, Ivete subiu ao palco da Concha Acústica nesta sexta-feira (27) para apresentar seu novo trabalho, “Acústico em Trancoso”, a fim de reproduzir o ambiente da festa de gravação do DVD rodado no sul da Bahia. Tanto assim que utilizou o mesmo figurino: vestido branco rendado e headband. O adereço, no entanto, não resistiu à animação da cantora, que, ao fim da segunda música, deixou os cabelos soltos.
O show, teoricamente acústico, mais pareceu uma prévia do Carnaval de Salvador – com a performance de “Doce” e “Na base do beijo” – e, com público inspirado, a juazeirense não se prendeu aos rótulos. “Sentadinha não dá né, meu bem? Tem hora para tudo”, brincou. Em resposta, o já clássico “p**a que pariu, é a melhor cantora do Brasil” ganhou vez na voz dos “zamuris” – como são apelidados seus fãs. Apesar da empolgação, o novo repertório não parece ter sido incorporado. As faixas consagradas, por sua vez, foram entoadas quase que como num coral.
Se na gravação do DVD Acústico em Trancoso, Ivete recebeu convidados como Luan Santana, em “Zero a Dez”, e Djavan, em “Segredo”, desta vez o público baiano teve que se contentar com a participação de Rafinha Gomes, menina de 10 anos que participou da edição de 2016 do The Voice Kids, programa do qual Ivete é jurada. Com a artista mirim, a cantora deu sequência a músicas lentas, a notar por “Em mim, Em você” e “Perto de mim”. Inquieta por natureza, contudo, ela surgiu com um vestido prateado e curto e, com músicas ícones do carnaval soteropolitano, como “Faraó”, mostrou, novamente, que “sentadinha não”.
Esquiva em protestos políticos no palco, a artista, que comentou a corrupção existente no Brasil durante coletiva no local e comparou “roubos de R$ 100 mil” a “furto de caneta” a fim de rechaçar a ideia de “corrupção pequena”, permaneceu neutra durante o show. E o público não solicitou nenhum pronunciamento. Na verdade, os fãs de Ivete Sangalo tampouco se importam, durante sua apresentação, em questioná-la, seguem-na fielmente.
Sem surpresas e com músicas que, apesar de novas, carregam a métrica e velhos arranjos do Axé, Ivete, mesmo assim, desperta uma energia que, senão única, é no mínimo surpreendente. E como a novidade não é privilegiada, a cantora mirou no certo e finalizou a apresentação com “We Are Carnaval”, de Nizan Guanaes. Para a alegria daqueles que parecem apenas querer ver, independente da arte em si, o fenômeno Ivete Sangalo.

