Sofia Pitta bebe de essência baiana para álbum ‘Pureza Selvagem’

    Cantora de 22 anos traz em seu trabalho nove faixas autorais que mesclam ritmos como MPB, pagodão, samba e arrocha

    Foto: Romário Carva

    O cenário musical baiano ganha um novo mistério a ser desvendado com a chegada de “Pureza Selvagem”, primeiro álbum de estúdio da artista independente Sofia Pitta. A cantora de 22 anos traz em seu trabalho nove faixas autorais que mesclam ritmos como MPB, pagodão, samba e arrocha.

    Os primeiros passos dados profissionalmente na música por Sofia Pitta ocorreram em 2024, com o lançamento da faixa “Baiana Baianinha” e, posteriormente, com o EP “Molho”. Em entrevista ao bahia.ba, a cantora classifica o lançamento do álbum como um “sonho” que conseguiu sair do papel de uma forma despretensiosa.

    Para a construção do seu projeto, a cantora contou com a parceria do produtor Pedro Breder e enxergou a água como o elemento central para dar vida ao conceito do trabalho, acompanhado de visualizações que abordam uma estética solar.

    “Foi um momento muito feliz de estar concluindo esse trabalho. […] Com singles eu contava uma história muito resumida da artista que eu sou. O álbum é como se fosse um marco de ‘essa sou eu, essa é minha identidade, eu sou Sofia Pitta, esse é meu primeiro álbum da carreira e isso vai me representar por um bom tempo'”, afirmou a cantora em entrevista ao bahia.ba.

    Construção do repertório

    Atualmente Sofia Pitta conta com mais de 100 mil ouvintes mensais no Spotify. Com uma mescla de ritmos, a artista revela a surpresa em seguir uma direção “contrária” ao que idealizada como artista. A cantora conta que acreditava que o seu trabalho seria dominado pela Bossa Nova e pela MBP, mas o “molho baiano” se mostrou presente a todo momento nas suas composições.

    “Eu posso estar escutando um clássico da MPB que ninguém diria que tem algo a ver com isso e eu vou pensar que com pagodão combina muito, como ‘Sorte’, de Caetano Veloso e Gal, que eu toco nos meus shows e a galera gosta muito. É uma música muito romântica, muito bonita, com arranjos impecáveis e combina muito com pagodão”, destaca.

    “Quando eu comecei a compor, achei que só ia compor Bossa Nova e MPB clássica, mas só conseguia compor samba, ‘pagodão’, arrocha e forró. Eu nunca imaginaria uma coisa dessas, e foi quando percebi como essa ancestralidade do território de onde venho me pega quando vou produzir algo artisticamente”, acrescenta.

    Visuais e identidade

    Em busca de trazer o equilíbrio entre “tradição e juventude”, Sofia mergulha no legado deixado por artistas baianos para construir a identidade da sua era musical. Com inspirações que vão de artistas plásticos, músicos e até mesmo o cinema, a cantora destaca que a imagem escolhida para a capa do seu álbum referência Clara Nunes, a “Sábia da Bahia”, uma das cantoras mais importantes cantoras da música popular brasileira.

    “Eu sou uma artista que traz a antiguidade com a juventude, eu gosto dessa mistura. Gosto muito do mundo velho para o meu campo artístico. A capa, que é o visual de ‘Pureza Selvagem’, tem muita referência a Clara Nunes. Eu pedi muito que tivesse uma referência a ela. […] O álbum tem referências muito importantes. Temos referência a ‘Ó Paí, Ó’, do universo de Dorival Caymmi e Jorge Amado”, explicou.

    Trajetória e futuro

    Mesmo com pouco tempo de estrada, Sofia Pitta acumula participações importantes na cena cultural baiana. No Carnaval de Salvador, no circuito Barra-Ondina, Sofia cantou ao lado do Bailinho de Quinta e participou do show de Márcia Castro no Festival Oferendas.

    Ela marcou presença também nos Ensaios de Verão da Sambaiana e do cantor Escandurras, além de integrar eventos como o Tranquilo Salvador e o Festival Nova Bahia.

    Ao refletir sobre a carreira, Sofia planeja voos mais altos. Para o futuro, a cantora destaca o sonho de colaborar com artistas como Maria Bethânia e Marina Sena, a fim de unir a energia da cena pop contemporânea com a imponência e tradição da MPB e até mesmo cantar em um trio elétrico.

    “No dia que eu fizer uma música com essa mulher [Maria Bethânia], eu vou zerar a vida. Eu quero muito estar em palcos grandes, estar em grandes festivais, quero muito assumir grandes shows, em trio elétrico. É uma grande perspectiva que eu miro”, complementa.