O cantor Teddy Pherraz, vocalista da banda PlayWay, falou sobre o receio de artistas se posicionarem publicamente sobre política e outros temas considerados sensíveis. Durante participação no Entrevista.ba, o pagodeiro afirmou que ele próprio já evitou expor determinadas opiniões por acreditar que uma declaração pode resultar em retaliações profissionais.
Segundo Teddy, parte desse receio está relacionada a quem possui poder de decisão sobre contratações e oportunidades no mercado artístico. “Eu, por muitas vezes, seguro minha onda para não falar de certas coisas, porque manda quem está com a caneta na mão. Às vezes, se você falar alguma coisa que uma pessoa não agrade, você vai ficar na geladeira para esfriar a cabeça”, declarou.
O termo “geladeira” foi usado pelo próprio artista para descrever uma situação em que determinado profissional poderia perder espaço ou oportunidades após desagradar pessoas com poder de decisão. Teddy não citou nomes nem afirmou ter sido pessoalmente alvo desse tipo de retaliação, mas disse que o receio de falar sobre alguns assuntos começou a incomodá-lo.
“Não é o que eu quero, mas isso está começando a me incomodar, porque a gente está vendo muita besteira dando certo”, afirmou. Para ele, pessoas com capacidade de contribuir para determinados debates muitas vezes preferem permanecer em silêncio enquanto outras opiniões ganham grande alcance nas redes sociais.
Teddy critica silêncio de artistas consagrados
Durante a conversa, o vocalista também criticou artistas que, na avaliação dele, conquistaram uma posição confortável no mercado e deixaram de abordar questões que afetam a sociedade. Teddy comparou esse comportamento a alguém que vive em uma “redoma”, distante dos problemas enfrentados pelo público.
“Tem os que já são consagrados, são políticos e não tocam nesses assuntos. É como se o cara estivesse lá na redoma, no reino dele. A ponte é incrível, mas, quando o pau está quebrando mesmo, ninguém fala”, afirmou.
Teddy disse que, neste momento da carreira, prefere assumir o risco de expor determinadas opiniões a permanecer em silêncio para preservar o que chamou de “supostos privilégios”. “A gente está vendo tanta coisa sem sentido, tanta loucura, e você tem algo para dizer e não fala? Tem medo de quê?”, questionou.
A declaração surgiu durante uma discussão sobre as mudanças no mercado musical e a influência das redes sociais na maneira como artistas produzem e divulgam seus trabalhos. Para Teddy, a busca por alcance, polêmicas e viralização também pode fazer com que músicos se afastem da própria identidade.
PlayWay aposta em “pagodão de verdade”
Ao falar sobre a nova fase da PlayWay, Teddy afirmou que a banda buscou seguir tendências sem abandonar a identidade construída ao longo da carreira. O grupo lançou o EP “Mesmo Swing, Nova História”, projeto que reúne músicas como “Algoritmo”, “Chefão do Game”, “Dopamina” e outras faixas voltadas para a retomada da banda.
O cantor também defendeu letras menos explícitas e disse sentir falta de um estilo de pagode mais próximo daquele produzido há dez ou 15 anos. Na entrevista, ele criticou o excesso de vulgaridade em parte das músicas atuais e classificou algumas produções como uma espécie de “pornografia musicalizada”.
“Esse EP é pagodão de verdade. Para quem gosta de viola, com letras legais e melodias. É aquele pagode leve que a gente estava acostumado a ouvir”, afirmou. Teddy explicou que a PlayWay mantém o duplo sentido e a irreverência característicos do gênero, mas procura evitar letras excessivamente explícitas.


