Publicado em 20/04/2019 às 09h00.

Teria se oposto ao Bolsonaro, mas não se alinharia ao PT, diz Dinho sobre Renato Russo

O vocalista da banda Capital Inicial, que confessou ter votado em Fernando Haddad no 2º turno das eleições, revelou estar decepcionado com Sérgio Moro

Redação
Foto: Instagram/ Arquivo Pessoal
Foto: Instagram/ Arquivo Pessoal

 

Dinho Ouro Preto revelou ter uma certeza quanto o posicionamento político do grande amigo Renato Russo, caso o músico estivesse vivo: oposição ao governo de Bolsonaro.

Em entrevista ao El País, publicada na última sexta-feira (19), o vocalista da Capital Inicial, afirmou que o artista provavelmente estaria bastante incomodado com a situação atual do país, mas não acredita que Renato levantaria bandeira para o PT.

“Ele estaria bastante incomodado. Certamente teria se oposto ao Bolsonaro, mas não se alinharia ao PT. Eu sempre o vi como uma liderança, um exemplo a ser seguido. Acredito muito em independência intelectual. Foi isso que aprendi com o Renato. Independência e disposição para o confronto ao poder. Não é papel do cidadão bajular políticos. Nosso papel é cobrar dessas pessoas”.

Durante a entrevista, o cantor, que já se posicionou diversas vezes a favor da Lava Jato e do ex-juiz Sérgio Moro, revelou estar decepcionado com o posicionamento do atual ministro da Justiça. “Eu via o trabalho dele na Lava Jato como apartidário. Tinha a impressão de que estavam investigando geral, do Lula ao Beto Richa, passando pela cúpula do MDB. Mas o Moro não deveria ter aceitado o cargo de ministro. Soou como se ele tivesse uma agenda em comum com o Bolsonaro”, confessou.

Foto: Twitter/ Arquivo Pessoal
Foto: Twitter/ Arquivo Pessoal

 

O artista, que contou que quando mais jovem chegou a se engajar em ações do Partido Comunista, disse que manterá o tom crítico em seus shows, principalmente no momento de ‘Que País é Esse’, que por diversas vezes puxou coro contra políticos como Lula, Dilma, Aécio e Temer. “Discordo de muita coisa do Governo Bolsonaro, principalmente do núcleo ligado ao Olavo de Carvalho. Estou de acordo com parte da agenda do Paulo Guedes [ministro da Economia]. As contas precisam bater. Mas as reformas econômicas não são suficientes para incluir as dezenas de milhões de excluídos”.

Na entrevista, Dinho, que revelou ter votado em Fernando Haddad (PT) no segundo turno das eleições presidenciais de 2018, pontuou acreditar ser errado medir o talento de um artista por suas posições políticas.

“Entendo que o rock precisa ser audaz e destemido, não pode ser submisso. Por isso, eu não me submeto a um partido ou ideologia. Sou livre pra criticar quem eu quiser. Mas eu acredito na democracia e levo isso ao pé da letra. Tenho que aceitar a diversidade de opiniões. As pessoas vão pegar no pé do Chico Buarque por ser petista? Discordo de muita coisa que ele diz. Para mim, por exemplo, Cuba e Venezuela são ditaduras. Mas ele continua sendo genial. Justiça seja feita, também reconheço o valor do Roger [Moreira] e do Lobão, mesmo discordando da opinião dos caras. É tolice medir o talento de um artista por suas posições políticas”.

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