Publicado em 18/08/2026 às 09h50.

Após fracasso de SAF, clube reduz dívida milionária e conquista acesso

Equipe cortou débito pela metade durante processo de reconstrução financeira

Rodrigo Fernandes
Foto: Mateus Dutra / Sociedade Esportiva do Gama

 

O Gama garantiu o retorno à Série C do Campeonato Brasileiro em meio a um processo de reconstrução que ultrapassa os resultados dentro de campo. Depois de uma primeira experiência frustrada com a Sociedade Anônima do Futebol (SAF) e de acumular R$ 56 milhões em dívidas, o clube do Distrito Federal reduziu praticamente pela metade o passivo enquanto recuperou espaço no cenário nacional.

O acesso foi conquistado após o Alviverde superar o São José nas quartas de final da Série D. Com a classificação, o clube assegurou uma das quatro vagas na Terceira Divisão de 2027 e agora segue na disputa pelo título nacional.

A campanha começou com domínio na primeira fase. Inserido no Grupo A3, o Gama terminou na liderança e sem derrotas, com 26 pontos conquistados em dez partidas. Foram oito vitórias e dois empates.

No mata-mata, a equipe eliminou Mixto-MT e Porto Velho antes de superar o América-RN. O confronto seguinte, contra o São José, valeu o tão aguardado acesso. O cenário atual contrasta diretamente com aquele encontrado pelo clube há três anos.

Primeira SAF terminou em 2023

A tentativa inicial de transformar o futebol do Gama em SAF começou em 2022. O projeto, porém, durou pouco. Problemas financeiros e divergências relacionadas ao contrato comprometeram a parceria, que acabou encerrada no ano seguinte. Com o fim do modelo, o Gama voltou a funcionar como associação em 2023 e precisou lidar com uma situação financeira delicada.

Naquele momento, as dívidas chegavam a aproximadamente R$ 56 milhões. Além dos débitos acumulados, o clube enfrentava dificuldades para arcar com despesas cotidianas e possuía uma estrutura que necessitava de investimentos. A partir daí, uma nova estratégia passou a ser adotada.

Dívida cai de R$ 56 milhões para R$ 27 milhões

Um grupo de investidores assumiu a gestão do futebol profissional por meio de um contrato de terceirização. O modelo permite o financiamento das atividades da equipe enquanto a criação de uma nova SAF aguarda o avanço do processo de Recuperação Judicial.

Durante esse período, o passivo do Gama caiu para aproximadamente R$ 27 milhões. Na comparação com os R$ 56 milhões registrados anteriormente, a redução chega a cerca de R$ 29 milhões.

A reestruturação também alcançou o patrimônio utilizado pelo futebol. O Centro de Treinamento recebeu intervenções nos campos, academia, departamento médico, refeitório e rouparia. As categorias de base passaram a contar ainda com o projeto DNA Gamense, financiado por meio da Lei de Incentivo ao Esporte.

Gama ainda busca o título da Série D

Com o acesso assegurado, a temporada ainda não terminou para o clube do Distrito Federal. O Gama enfrenta o ASA de Arapiraca na semifinal da Série D e tenta chegar à decisão da competição. Do outro lado da chave, Uberlândia e ABC disputam a segunda vaga na final.

Assim, três anos depois do encerramento da primeira experiência com uma SAF e após reduzir significativamente o endividamento, o Gama volta a disputar uma divisão acima do Campeonato Brasileiro e ainda pode concluir a campanha com um título nacional.

Rodrigo Fernandes
Jornalista, repórter e produtor de conteúdo. Com experiência em redação e marketing digital, faz cobertura de Esportes no bahia.ba. Antes disso, foi editor do In Magazine – Portal iG e repórter do Portal M! – Muita Informação.

Mais notícias

Este site armazena cookies para coletar informações e melhorar sua experiência de navegação. Settings ou consulte nossa política.

WP Twitter Auto Publish Powered By : XYZScripts.com