Publicado em 17/08/2026 às 09h01.

Atacante do Botafogo é expulso contra o Vitória pela Lei Vini Jr.; veja

Punição aconteceu após discussão com Jair Ventura e foi a primeira do tipo no Brasileirão

Rodrigo Fernandes
Foto: Camile Campos / bahia.ba

 

A vitória do Leão da Barra por 1 a 0 sobre o Botafogo, neste domingo (16), no Barradão, terminou com uma situação inédita no Campeonato Brasileiro. Após o apito final, o atacante Arthur Cabral recebeu cartão vermelho em uma aplicação da chamada Lei Vini Jr., novidade implementada no futebol brasileiro após a Copa do Mundo.

O jogador do clube carioca foi expulso depois de se envolver em uma discussão com Jair Ventura. Durante o desentendimento com o treinador rubro-negro, Arthur levou a mão à boca enquanto falava e acabou punido pela arbitragem.

Foi a primeira expulsão registrada no Brasileirão com base na nova determinação, que prevê cartão vermelho quando um jogador cobre intencionalmente a boca durante uma discussão ou situação de confronto.

O episódio chama atenção também por ter acontecido justamente em uma partida do Vitória. Antes da implementação das mudanças, o clube baiano, ao lado do Grêmio, votou para que as novas medidas entrassem em vigor somente na próxima temporada.

 

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Como começou a confusão

O atrito entre Arthur Cabral e Jair Ventura teve início ainda durante os acréscimos no Barradão. Em uma jogada próxima à área técnica, Santi Rodríguez tentou lançar a bola pela lateral, mas mandou para fora. Jair fez um movimento como se fosse cabecear a bola, atitude que provocou uma reclamação de Arthur.

O jogo prosseguiu, mas o desentendimento não terminou ali. Depois do apito final, o atacante voltou a procurar o treinador do Vitória e cobrou respeito.

Foi durante essa conversa que Arthur Cabral colocou a mão sobre a boca. A arbitragem identificou o gesto e apresentou o cartão vermelho ao centroavante, que deixou o gramado reclamando da decisão.

O que prevê a Lei Vini Jr.

A chamada Lei Vini Jr. faz parte das mudanças de arbitragem adotadas no futebol após a Copa do Mundo e está relacionada à Regra 12, que trata de faltas e condutas antidesportivas.

Entre as novas determinações está a possibilidade de expulsão do jogador que cubra a boca durante discussões ou provocações. A medida busca impedir que atletas escondam o conteúdo de falas potencialmente ofensivas durante confrontos dentro de campo.

Pela aplicação da regra, a punição pode ocorrer pelo próprio gesto, sem que seja necessário identificar o conteúdo da conversa.

Vitória havia votado contra aplicação imediata

Antes de as mudanças entrarem em vigor, o presidente do Vitória, Fábio Mota, já havia se posicionado contra a adoção da medida no decorrer da temporada. O dirigente deixou claro que era favorável às novas regras de maneira geral, mas defendia que elas fossem implementadas apenas no ano seguinte.

Ao comentar especificamente a Lei Vini Jr. em entrevista ao jornal O Globo, Mota questionou a interpretação automática do gesto de cobrir a boca.

“Porque você parte do princípio que todas as vezes que o atleta está colocando a mão na boca é pra praticar um pretenso ato de racismo ou pra uma ação que seja contra os princípios básicos”, afirmou.

“Primeiro que sou 100% favorável às medidas implementadas, eu acho que vai melhorar o futebol, vai diminuir a chamada cera no futebol, porém eu acho que eu sou contrário a ser implementado esse ano, eu acho que o momento não é oportuno”, completou.

Rodrigo Fernandes
Jornalista, repórter e produtor de conteúdo. Com experiência em redação e marketing digital, faz cobertura de Esportes no bahia.ba. Antes disso, foi editor do In Magazine – Portal iG e repórter do Portal M! – Muita Informação.

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