Bahia escapa de impacto imediato com proibição das bets no Brasil

    Tricolor está sem acordo com casas de apostas após sequência de patrocínios desde 2022

    Foto: Rafael Rodrigues / EC Bahia

    A proibição das casas de apostas no Brasil atinge diretamente boa parte dos clubes da Série A, mas encontra o Bahia em uma situação diferente. Depois de passar os últimos anos com empresas do setor entre seus principais parceiros comerciais, o Tricolor não possui atualmente contrato de patrocínio com uma bet e, por isso, não terá de substituir uma marca desse segmento neste momento.

    A mudança no mercado ocorreu após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinar, na última sexta-feira (25), uma Medida Provisória que proíbe a exploração, oferta, intermediação e publicidade das apostas de quota fixa no país. A decisão coloca os clubes que ainda mantêm vínculos com empresas do setor diante da necessidade de rever contratos e buscar novas fontes de receita.

    No Esquadrão, o cenário atual contrasta com o observado desde 2022. Antes mesmo da transformação do futebol tricolor em SAF e durante os primeiros anos sob administração do Grupo City, casas de apostas ocuparam sucessivamente o espaço de maior destaque no uniforme.

    A Casa de Apostas esteve na camisa em 2022. Nas duas temporadas seguintes, a Esportes da Sorte assumiu o posto de patrocinadora máster. Em 2025, foi a vez da Viva Sorte Bet ocupar a região central do uniforme.

    A sequência chegou a 2026, mas terminou antes da decisão do governo federal. Em abril, o Bahia fechou um acordo de três meses com a Esportiva Bet, que passou a ter sua marca exposta na camisa e em outras propriedades comerciais do clube. Encerrado o vínculo, o Esquadrão não firmou outro patrocínio com uma casa de apostas.

    Atualmente, o espaço máster do uniforme tricolor está vago. Entre as empresas presentes nas propriedades comerciais do clube estão BYD, Famastil, Canaã Alimentos, Banco BMG, Viva Sorte Capitalização, Axi, Atacadão dos Pisos e Ingresse. A Viva Sorte permanece vinculada ao Bahia por meio de seu produto de capitalização, e não através da antiga operação de apostas que ocupava o espaço principal da camisa.

    Clubes da Série A com patrocínio de bets:

    Atlético-MG – H2Bet
    Botafogo – VBet
    Chapecoense – ZeroUm Bet
    Corinthians – Esportes da Sorte
    Cruzeiro – Betnacional
    Flamengo – Betano
    Fluminense – Superbet
    Grêmio – Pitaco
    Palmeiras – Sportingbet
    Remo – Vai de Bet
    Santos – Novibet
    São Paulo – Superbet
    Vasco – Sportingbet
    Vitória – 7K Bet

    Clubes da Série A sem patrocínio de bets:

    Bahia
    Athletico-PR
    Coritiba
    Internacional
    Mirassol
    Red Bull Bragantino

    Se a proibição encontra o Bahia sem uma bet entre seus patrocinadores, a situação do Vitória é diferente. O Rubro-Negro mantém vínculo com a 7K, que ocupa o espaço máster do uniforme desde 2025.

    O contrato foi firmado inicialmente por três temporadas e prevê R$ 16 milhões fixos por ano, com possibilidade de alcançar R$ 20 milhões ou mais mediante o cumprimento de metas. Considerando todo o período originalmente acordado, os valores poderiam ficar entre R$ 48 milhões e R$ 60 milhões.

    Após a assinatura da medida, o presidente do Vitória, Fábio Mota, estimou que a mudança pode provocar um impacto de aproximadamente 15% nas receitas do clube.

    A diferença entre os rivais ocorre justamente em um momento no qual as casas de apostas alcançaram forte presença financeira no futebol brasileiro. Em 2025, empresas do segmento destinaram R$ 1,143 bilhão em patrocínios aos 20 clubes de maior receita do Brasil, segundo levantamento da Sports Value, montante equivalente a aproximadamente 36% das receitas de marketing dessas equipes.