Clubes brasileiros se articulam contra possível MP de Lula sobre bets

    Medida estudada pelo governo pode restringir apostas esportivas no país e afetar um dos principais patrocínios do futebol brasileiro

    Foto: Ricardo Stuckert

    Clubes de futebol começaram a se movimentar nos bastidores diante da possibilidade de o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) editar uma Medida Provisória (MP) para restringir a atuação das plataformas de apostas esportivas no Brasil. Entre as alternativas discutidas está até mesmo a possibilidade de proibição das bets.

    A indefinição sobre os planos do governo tem provocado preocupação entre os principais clubes do país, especialmente pela importância das empresas de apostas no financiamento do futebol. Dirigentes e representantes de grandes agremiações tentam obter informações sobre uma eventual MP, mas encontram versões diferentes dentro do próprio governo.

    Enquanto ministros afirmam que não há previsão para a edição da medida, interlocutores do Palácio do Planalto indicam que Lula poderia assinar o texto nos próximos dias. Diante desse cenário, clubes discutem reservadamente a possibilidade de uma reação conjunta caso novas restrições sejam confirmadas.

    Clubes calculam impacto financeiro

    Estimativas do mercado apontam que o futebol brasileiro poderia perder cerca de R$ 1 bilhão em contratos de patrocínio caso as plataformas de apostas sejam proibidas. O valor tem sido utilizado pelos clubes nas articulações realizadas em Brasília para tentar barrar uma eventual proibição.

    A preocupação ganhou força após Lula afirmar, na quarta-feira (16), que sua “disposição pessoal é acabar com as bets”. O presidente, porém, disse que ainda pretende ouvir outras pessoas antes de tomar uma decisão.

    As bets, hoje, são uma desgraça nesse país para o povo pobre que trabalha e que perde seu dinheiro jogando”, declarou Lula em entrevista a um podcast.

    Nos bastidores, dirigentes também avaliam que uma mudança nas regras poderia gerar impactos diretos nas receitas das equipes. Parlamentares governistas ouvidos pelo portal PlatôBR reconhecem que existe preocupação no Planalto com o possível desgaste de um confronto com os principais clubes do futebol brasileiro.