Clubes temem venda em massa de jogadores após fim das bets

    Saída das casas de apostas reduz receitas e aumenta pressão sobre clubes que assumiram compromissos contando com os patrocínios

    Foto: Letícia Martins/EC Bahia

    Os clubes brasileiros passaram a lidar com um novo problema financeiro após a proibição das casas de apostas no país. Com a interrupção de contratos de patrocínio e a redução das receitas previstas, as equipes temem precisar recorrer à venda de jogadores em larga escala para manter o fluxo de caixa e cumprir compromissos assumidos.

    A avaliação foi apresentada pelo jornalista Rodrigo Mattos, do UOL, nesta quarta-feira (30). Segundo ele, o cenário pode afetar principalmente clubes que projetaram parte de suas receitas futuras com base nos valores pagos pelas empresas de apostas.

    Saída das bets afeta patrocínios

    A saída das bets provocou uma queda significativa no mercado de patrocínios esportivos. Clubes que tinham contratos com empresas do setor passaram a buscar alternativas para substituir valores que estavam previstos no orçamento.

    O Vitória, por exemplo, teve encerrado o vínculo com a 7kbet, que representava cerca de 15% do orçamento do clube. Além da perda direta de receita, a saída simultânea de empresas também tende a pressionar para baixo o valor das propriedades comerciais das equipes.

    O problema se estende aos clubes que fizeram investimentos contando com receitas futuras. O Flamengo, por exemplo, possui compromissos financeiros referentes a contratações de jogadores e terá parcelas milionárias a pagar ao longo de 2027. Com o contrato com a Betano atualmente em espera enquanto a medida é discutida, o clube precisa reorganizar o planejamento financeiro.

    Venda de jogadores pode ganhar força

    Nesse cenário, a negociação de atletas aparece como uma das alternativas para gerar caixa. Clubes que já possuem metas de arrecadação com transferências podem enfrentar pressão ainda maior para cumprir os objetivos estabelecidos.

    O Corinthians, por exemplo, trabalha com uma previsão de aproximadamente R$ 150 milhões em receitas com vendas de jogadores. O Grêmio também projeta arrecadar valores semelhantes com transferências.

    A necessidade de negociar atletas, portanto, pode aumentar caso os clubes não consigam repor rapidamente as receitas perdidas com os patrocínios das casas de apostas. A intensidade desse movimento, porém, dependerá das alternativas encontradas pelas equipes para reorganizar seus orçamentos e manter os compromissos financeiros.