Deu ruim na Toca: O 1º turno do Leão

    Após título estadual, Rubro-Negro quase se afoga em crise durante primeira metade da Série A, mas chega ao returno com otimismo renovado

    Foto: Mauricia da Matta / EC Vitória

    Título estadual em cima do maior rival, elenco recheado de nomes experientes, ídolo no comando de projeto ambicioso e nova gestão à frente do clube. Elementos que encheram o torcedor do Vitória de otimismo para a disputa do Campeonato Brasileiro da Série A deste ano e que, mesmo com indicativos fortes, nem de longe previam a turbulência pela qual a equipe passaria dentro e fora de campo no primeiro turno da competição.

    Se as coisas pareciam encaminhadas, a troca de função de Dejan Petkovic, que passou da gestão para o comando técnico, apenas dois dias antes do início do certame, no início de maio, começou a escancarar as falhas organizacionais presentes no clube que implodiram de vez ao fim do mês, com o início da debandada de membros fortes – Sinval Vieira e Augusto Vasconcelos – da gestão do presidente Ivã de Almeida.

    Se as coisas pareciam instáveis fora de campo, bons resultados poderiam diminuir a pressão. Mas o que se viu foi o pior início de Brasileirão da equipe na história dos pontos corridos.

    Com apenas um ponto nos cinco primeiros jogos, em empate contra o Avaí na estreia seguido por derrotas contra Corinthians, Coritiba, Fluminense e São Paulo, o Leão só obteve o primeiro triunfo na 6ª rodada, frente ao Atlético-MG, após a chegada do técnico Alexandre Gallo.

    Se um novo treinador e a volta de Petkovic para a gestão de futebol pareciam dar sobrevida ao time, os resultados negativos continuaram a aparecer e, em determinado momento, o Vitória chegou a ser o pior mandante da competição, o que rachou a relação entre equipe e torcida.

    Com o clube em pleno declínio na tabela e com uma série de divergências internas, o presidente Ivã de Almeida pediu afastamento, e foi substituído provisoriamente pelo então vice, Agenor Gordilho, que, horas antes, havia comunicado seu afastamento do clube.

    Um novo começo – Se em qualquer roda de conversa ou mesa redonda de programas esportivos o Vitória já era dado como dono de uma das vagas de rebaixamento para a Série B de 2018, um alento se desenhou na reta final do turno e devolveu o otimismo ao torcedor rubro-negro.

    O retorno de um velho conhecido, o treinador Vágner Mancini, mudou os ares da equipe, que embalou na reta final e evitou a concretização da sua pior campanha na história do primeiro turno da Série A. Com sete pontos nos últimos três jogos, empate contra o Cruzeiro e triunfos contra Ponte Preta e Flamengo, o Leão viu a distância para sair do Z-4 diminuir para apenas três pontos no começo do returno.

    Historicamente, esta é a segunda pior campanha do Vitória na nova era do Brasileirão, mas em uma tabela embolada, em que a distância do 18º para o 5º é de 10 pontos, o aproveitamento não quer dizer muita coisa em termos de quem vai disputar o quê no miolo da tabela.

    Em comparativo, no ano da sua participação mais fraca na etapa inicial do torneio, em 2014, quando obteve apenas 26,3% de aproveitamento, a distância do time para o 5º colocado era de 16 pontos.

    Antes de 2017, essa havia sido a única vez que o clube virou o turno dentro da zona de rebaixamento. Ao término do campeonato, o Vitória acabou rebaixado para a Série B, na 17º colocação.

    Agora, a expectativa do torcedor rubro-negro é de que a escrita não se repita. O primeiro desafio será contra o Avaí, no próximo sábado (12), às 19h, no Barradão.

    Histórico do clube na era dos pontos corridos: 

    2003 – 39.1% de aproveitamento – 16º de 24 no 1º turno – 16ª colocação no campeonato

    2004 – 42% de aproveitamento -15º de 24 no 1º turno – 23ª colocação no campeonato (Rebaixado)

    2005 – Não participou

    2006 – Não participou

    2007 – Não participou

    2008 – 56,1% de aproveitamento – 5º de 20  no 1º turno – 10ª colocação no campeonato

    2009 – 43,9% de aproveitamento – 12º de 20 no 1º turno  – 13ª colocação no campeonato

    2010 – 38,6% de aproveitamento – 15º de 20 no 1º turno  – 17ª colocação no campeonato (Rebaixado)

    2011 – Não participou

    2012 – Não participou

    2013 – 40,4% de aproveitamento – 13º de 20 no 1º turno  – 5ª colocação no campeonato

    2014 – 26,3% de aproveitamento – 20º de 20 no 1º turno – 17ª colocação no campeonato (Rebaixado)

    2015 – Não participou

    2016 – 38,6% de aproveitamento – 14º de 20  no 1º turno – 16ª colocação no campeonato

    201733,3% de aproveitamento – 18º de 20 no 1º turno