Esporte olímpico brasileiro pode perder R$ 2,6 bi após fim das bets

    COB, CPB e outras entidades esportivas devem perder recursos após decisão do governo de encerrar operações de apostas no país

    Foto: Helena Petri/COB

    A proibição das apostas esportivas no Brasil deve provocar um impacto de cerca de R$ 2,623 bilhões no esporte olímpico e paralímpico até o fim de 2027. O valor corresponde a repasses que deixariam de ser destinados a entidades como o Comitê Olímpico do Brasil (COB), o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), o Comitê Brasileiro de Clubes (CBC) e o Ministério do Esporte.

    O levantamento foi realizado pelo COB e considera R$ 497 milhões que deixariam de ser repassados entre outubro e dezembro de 2026, além de aproximadamente R$ 2,1 bilhões previstos para 2027. Os cálculos têm como base os valores recebidos pelas entidades entre 2025 e setembro deste ano.

    Impacto na preparação olímpica

    O presidente do COB, Marco La Porta, afirmou que a entidade recebeu cerca de R$ 200 milhões provenientes das bets entre 2025 e setembro de 2026. A previsão era de mais R$ 25 milhões até o fim deste ano e entre R$ 125 milhões e R$ 130 milhões em 2027.

    Com a perda dos recursos, o COB pretende recorrer ao fundo de reserva e rever investimentos em algumas áreas para preservar a preparação do Time Brasil para os Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 2028. Projetos como a ampliação dos Jogos da Juventude devem ser adiados.

    Apesar da redução na arrecadação, a entidade informou que não pretende diminuir os repasses às confederações em 2027. O ajuste deverá ocorrer principalmente no orçamento interno do comitê.

    Entidades calculam perdas

    O CPB recebeu R$ 57,4 milhões das apostas em 2025 e outros R$ 54,1 milhões até setembro de 2026. Para 2027, a projeção inicial era de R$ 82,1 milhões.

    O CBC estima um impacto de aproximadamente R$ 50 milhões. Já a Confederação Brasileira de Basquete (CBB) recebeu R$ 13 milhões das bets em 2025 e deverá contar com menos da metade desse valor por meio de outra fonte de recursos em 2026.

    A Confederação Brasileira de Tênis de Mesa (CBTM), por sua vez, acumulou cerca de R$ 5 milhões em repasses desde abril de 2025. Segundo a entidade, os valores estavam previstos para investimentos no alto rendimento e na formação de atletas.