Federação Alemã de Futebol pode entrar com recurso contra Fifa por proibir uso de braçadeiras

    "A Fifa nos proibiu (de mostrar) um sinal de diversidade e direitos humanos. Fez ameaças maciças de sanções esportivas", disse a porta-voz da organização da Alemanha

    Braçadeira de Manuel Neuer em apoio à causa LGBTQIAP+ — Foto: Federação Alemã de Futebol

    A Federação Alemã de Futebol (DFB) considera apresentar recurso contra a Fifa por causa da proibição da instituição de usar as braçadeiras “One love” em apoio à comunidade LGBTQIA+ durante as partidas da Copa do Mundo no Catar, na terça-feira (22).

    “A Fifa nos proibiu (de mostrar) um sinal de diversidade e direitos humanos. Fez ameaças maciças de sanções esportivas”, disse a porta-voz da organização da Alemanha à agência de notícias de esporte SID ao G1.

    De acordo com o jornal alemão (Bild), a DFB pode entrar com recurso contra a Fifa no Tribunal Arbitral do Esporte (TAS) com sede em Lausanne. Segundo o G1, a ministra do interior da Alemanha, que também é responsável pelos esportes, afirmou em entrevista para o Bild que a proibição da braçadeira é um grande erro da Fifa.

    “Parte o coração de cada torcedor ver como a Fifa também coloca esse conflito nas costas dos jogadores”, disse ela.

    Contudo, o TAS falou que até o momento não recebeu nenhum comunicado. “Em princípio, o caso deve primeiro ser encaminhado à Comissão de Apelações da Fifa. A base está no artigo 57 do Estatuto da Fifa. Não há precedente no TAS para esse tipo de recusa de autorização”, disse um porta-voz do TAS.

    A Fifa havia se posicionado sobre as braçadeiras dizendo que os capitães iriam começar o jogo com um cartão amarelo caso estivessem usando. Várias federações nacionais confirmaram o que a Fifa disse. Por causa disso, várias seleções europeias desistiram de usar as braçadeiras inspiradas na bandeira do arco-íris, símbolo da comunidade LGBTQIA+.

    Críticas da Alemanha à Fifa

    A decisão da instituição que organiza a Copa gerou uma onda de críticas na Alemanha. “Estamos convencidos de que o esporte deve ser aberto a todos, apoiamos os nossos jogadores e equipes no seu compromisso”, afirmou Oliver Brüggen, porta-voz do grupo de roupas esportivas Adidas.

    O ex-jogador da Alemanha Michael Ballack também veio a público se posicionar contra, e disse que se decepcionou com a decisão da Fifa e que esperava mais caráter da federação do país.

    O Catar é o primeiro país do Oriente Médio a sediar a Copa do Mundo e antes da copa o país garantiu que todos os torcedores serão bem-vindos sem discriminação, embora a lei da região penalize a comunidade LGBTQIA+.

    A rede de supermercado REWE, uma das maiores da Alemanha, renunciou à sua colaboração com o DFB, ao saber da notícia.

    “Após a decisão da Fifa sobre as braçadeiras ‘One Love’, a REWE encerra sua cooperação com a DFB (Federação Alemã de Futebol)”, anunciou o grupo alemão em comunicado.

    Essa empresa já tinha intenções de não prorrogar o contrato como “parceira alimentar oficial” da federação, contrato esse que mantém desde 2008. Decisão iria ser colocada em prática após a Copa.

    Porém, hoje mesmo, a REWE afirmou ser “obrigada a se distanciar claramente da Fifa e a renunciar a seus direitos de publicidade, especialmente no contexto da Copa do Mundo”.