FIFA pede desculpas após polêmica envolvendo plano para vender a Copa

    Entidade reconhece falhas na condução do projeto e reafirma apoio ao presidente Gianni Infantino

    Foto: Divulgação/Fifa

    A FIFA divulgou nesta quarta-feira (5) um pedido oficial de desculpas às 211 associações filiadas após a repercussão negativa provocada pelo projeto que previa a criação de uma empresa para administrar parte dos ativos comerciais da entidade, incluindo a Copa do Mundo.

    O comunicado foi publicado depois de uma reunião realizada em Rabat, no Marrocos, com a presença do presidente Gianni Infantino, do secretário-geral Mattias Grafström e de integrantes da alta cúpula da entidade.

    Em carta encaminhada ao Conselho da FIFA e às federações nacionais, a entidade reconheceu que houve falhas na condução do processo e afirmou que o projeto deveria ter sido apresentado de outra forma.

    “Os erros cometidos foram reconhecidos e o processo deveria ter sido conduzido de forma diferente”, informou a FIFA, acrescentando que trabalhará para evitar que situações semelhantes voltem a acontecer.

    Entenda a crise

    A proposta previa a criação da FIFA Forward Enterprise (FFE), subsidiária responsável por administrar receitas comerciais da entidade, como direitos de transmissão, patrocínios, licenciamento e bilheteria das principais competições organizadas pela FIFA.

    O plano incluía a venda de 20% da nova empresa a investidores privados e tinha como objetivo captar cerca de US$ 4,2 bilhões.

    A iniciativa, no entanto, provocou forte reação de federações, ligas e confederações, que criticaram a ausência de consultas prévias e demonstraram preocupação com a possibilidade de parte dos ativos comerciais da Copa do Mundo passar ao controle de investidores privados.

    A UEFA liderou a oposição ao projeto e chegou a sinalizar a possibilidade de boicotar competições organizadas pela FIFA caso a proposta fosse mantida.

    Apoio a Infantino

    Apesar da crise, os dirigentes presentes na reunião em Rabat manifestaram apoio ao presidente Gianni Infantino, que enfrenta um dos momentos de maior pressão desde que assumiu o comando da FIFA, em 2016.

    O episódio também gerou desgaste interno. Carlos Cordeiro deixou o cargo de assessor sênior da presidência em meio à polêmica, enquanto o diretor de operações da entidade, Kevin Lamour, afirmou que funcionários foram “enganados” durante a elaboração do projeto.

    Com a reação negativa, a FIFA decidiu retirar a proposta. Ainda assim, o caso ampliou o debate sobre a governança da entidade e aumentou a pressão por mudanças na condução das decisões administrativas.

    A próxima eleição presidencial da FIFA está prevista para março de 2027, também no Marrocos, quando Gianni Infantino deverá buscar um novo mandato.