Publicado em 28/07/2026 às 18h54.

FIFA quer vender fatia de empresa da Copa e irrita a UEFA

Projeto de R$ 102 bilhões atrai duras críticas da UEFA, que afirma que a essência e a gestão do futebol mundial não estão à venda

Juliano Franca
Foto: Divulgação/Fifa

 

A FIFA anunciou um plano para criar uma empresa responsável por administrar os direitos comerciais de suas principais competições, incluindo a Copa do Mundo, e abrir parte do negócio para investidores privados. A proposta, porém, provocou forte reação da UEFA, que classificou a iniciativa como um risco à governança do futebol e indicou a possibilidade de boicote caso o projeto avance.

Batizada de FIFA Forward Enterprise (FFE), a nova subsidiária teria como objetivo centralizar a exploração comercial de torneios organizados pela entidade, reunindo receitas provenientes de direitos de transmissão, patrocínios e outras propriedades comerciais.

Nova empresa e aporte bilionário

Segundo a FIFA, a FFE teria valor estimado em US$ 20 bilhões (cerca de R$ 102,3 bilhões). O plano prevê a venda de aproximadamente US$ 4,2 bilhões (R$ 21,5 bilhões) em participação para investidores privados, mantendo a entidade como acionista majoritária da empresa.

De acordo com a entidade, os recursos captados seriam utilizados para ampliar os investimentos no desenvolvimento do futebol mundial. Atualmente, cada federação nacional recebe cerca de R$ 41 milhões por ciclo. Caso a proposta seja aprovada, esse valor poderá subir para R$ 102 milhões até a Copa de 2030, R$ 112,5 milhões no ciclo seguinte e R$ 123 milhões até 2038.

Em comunicado oficial, a FIFA afirmou que a entrada de capital privado permitirá explorar de forma mais eficiente os direitos comerciais de competições masculinas, femininas e de base.

UEFA critica proposta

Foto: Reprodução/Uefa (Traduzido pelo Gemini)

 

A proposta foi recebida com preocupação pela UEFA, que divulgou nota oficial criticando a possibilidade de investidores privados passarem a participar da gestão comercial das competições da FIFA.

Segundo a confederação europeia, a iniciativa “ultrapassa uma linha que as instituições responsáveis pelo futebol nunca deveriam cruzar”.

Em outro trecho da nota, a UEFA afirma que “a essência e a governança do futebol não são ativos para serem negociados” e conclui que “ninguém é dono do futebol” e que “não cabe à FIFA vendê-lo”.

Relação com investidores gera debate

Segundo informações da imprensa internacional, parte dos investidores procurados pela FIFA teria ligação com grupos próximos ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aliado político do presidente da entidade, Gianni Infantino.

A proximidade entre os dois voltou ao centro das discussões após a Copa do Mundo de 2026. Durante o torneio, Trump pediu à FIFA a revisão da expulsão do atacante Balogun, da seleção norte-americana. Posteriormente, a punição foi revista por um comitê disciplinar da entidade, episódio que gerou questionamentos sobre interferência política nas decisões esportivas.

Embora a FIFA afirme que os investidores terão participação minoritária, a proposta ainda deverá enfrentar resistência de federações europeias e de outros integrantes do futebol internacional antes de qualquer implementação.

Juliano Franca
Graduando em jornalismo pela UFBA e estagiário do Bahia.BA. Feirense, fundador da Fute em Foco, crítico de cinema pelo Cine.Italo, cofundador do Daft.Cult e membro da Liga de Jornalismo Esportivo da UFBA e da Liga de Cinema e Audiovisual.

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