O Governo da Bahia já discutiu com representantes do Grupo City a possibilidade de participação na futura gestão da Arena Fonte Nova, cujo atual contrato de concessão termina em 2028. A informação foi confirmada pelo secretário estadual do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), Augusto Vasconcelos, em entrevista ao bahia.ba nesta quarta-feira (21).
Apesar das conversas, o gestor ressaltou que não existe qualquer negociação concluída e que a definição sobre a administração do estádio deverá respeitar um processo licitatório.
As declarações foram dadas durante uma agenda no Farol da Barra, em Salvador, onde o governador Jerônimo Rodrigues (PT) anunciou a entrega de ônibus escolares destinados a municípios do interior baiano.
Na ocasião, Vasconcelos revelou que o assunto já foi tratado em uma reunião com o próprio governador e integrantes do grupo responsável pela Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Bahia, mas destacou que o Executivo estadual também mantém diálogo com os atuais administradores da arena.
“A gente vê com bons olhos todos os parceiros que queiram se associar com a gestão desse equipamento esportivo, mas ainda não tem nada definido. Qualquer gestão será definida por licitação, respeitando todas as fases do procedimento legal. Já estive com o Grupo City, inclusive, em reunião com o próprio governador. Já tivemos conversas, o que é positivo, mas ainda não tem nada fechado com nenhum investidor”, afirmou.
O interesse do City Football Group (CFG) em participar de uma eventual disputa pela administração da Fonte Nova já havia sido manifestado publicamente pelo CEO da organização, Ferran Soriano.
A confirmação das reuniões pelo secretário, entretanto, não representa uma preferência do governo por determinado interessado, uma vez que a escolha de um futuro operador dependerá das condições estabelecidas para a concessão.

Governo avalia modelo de gestão para depois de 2028
A atual Parceria Público-Privada (PPP) da Arena Fonte Nova tem encerramento previsto para 31 de março de 2028, prazo a partir do qual o Governo do Estado precisará definir como será conduzida a administração do equipamento. Segundo Vasconcelos, o tema já está sendo analisado internamente, com estudos sobre a continuidade da participação da iniciativa privada e o formato mais adequado para os próximos anos.
“O Governo do Estado, através de uma parceria público-privada, possibilitou o surgimento de um dos melhores equipamentos esportivos e culturais do Brasil, que é a Arena Fonte Nova. A gestão que fazemos compartilhada com o setor privado se encerra em 2028 e o Estado passa a adquirir totalmente os direitos. Estamos conversando dentro do governo de maneira técnica, também avaliando qual é o melhor formato para dar continuidade a essa parceria nos próximos anos”, explicou.
Enquanto essas discussões avançam, a Setre segue acompanhando o cumprimento do contrato vigente e realizando encontros periódicos com o consórcio responsável pela operação do estádio. O secretário destacou que a avaliação do governo não ficará restrita ao retorno financeiro de uma eventual nova concessão, já que a arena possui uma programação diversificada e atende a diferentes atividades esportivas e culturais.
“Inclusive, o próprio grupo atual que hoje gere a Arena Fonte Nova também tem feito diálogos junto conosco. A gente tem uma relação de fiscalização desse contrato e temos realizado reuniões periódicas para realizar essa avaliação cotidiana. E, óbvio, vamos fazer a melhor definição para o povo baiano, levando em consideração aspectos econômicos, mas também de otimização do equipamento”, declarou.
Ao abordar a utilização do espaço, Vasconcelos também mencionou a importância de preservar seu caráter multiuso, considerando que a Fonte Nova não recebe apenas partidas de futebol, mas também competições de outras modalidades, congressos, seminários e apresentações musicais.
“A Arena Fonte Nova sedia jogos de futebol, de outras modalidades esportivas, congressos, seminários, eventos musicais. Então, é um grande equipamento, é multiuso. Por isso, a gente está olhando todos os aspectos da gestão da Arena Fonte Nova para que nós possamos tomar a melhor definição”, acrescentou.
Novo nome comercial não altera contrato de concessão
As discussões sobre o futuro da administração do estádio acontecem na mesma semana em que a Fonte Nova anunciou uma mudança em sua identidade comercial. Na segunda-feira (19), foi oficializada uma parceria de naming rights com a Acelen, companhia responsável pela Refinaria de Mataripe, em São Francisco do Conde, na Região Metropolitana de Salvador.
Com o acordo, o equipamento passa a adotar a denominação Arena Acelen Fonte Nova, preservando o nome histórico do estádio, inaugurado em 2013. A empresa assume os direitos de exploração comercial da marca, mas a parceria não implica transferência da administração da arena nem interfere no prazo da concessão atualmente em vigor.
Dessa forma, enquanto a Acelen passa a integrar a identificação comercial da Fonte Nova, a definição sobre quem administrará o equipamento após março de 2028 continua em discussão no Governo do Estado, sem acordo anunciado com o Grupo City ou qualquer outro interessado.

