Os clubes brasileiros desistiram de paralisar o Campeonato Brasileiro como forma de pressionar o governo federal após a proibição das bets. A estratégia adotada agora será tentar combater a medida no Supremo Tribunal Federal (STF), com movimentos individuais para participar das ações que questionam o fim das apostas de quota fixa no país. As informações são do jornal O Globo.
A mobilização já começou. O Flamengo foi o primeiro clube a procurar diretamente o Supremo e pediu para atuar como amicus curiae nos processos que contestam a Medida Provisória. O Palmeiras decidiu seguir o mesmo caminho e prepara sua entrada na discussão.
A tendência é que outras equipes também apresentem pedidos próprios. A avaliação entre os dirigentes é de que diferentes manifestações individuais podem ampliar a participação dos clubes no debate jurídico, em vez de concentrar toda a reação do futebol em uma única iniciativa.
No centro da discussão estão ações apresentadas por representantes do setor de apostas. Entre os argumentos utilizados para tentar suspender a medida estão a ausência de urgência para a edição de uma MP e a insegurança jurídica provocada pela interrupção das atividades de empresas que receberam autorização do próprio Estado para operar no Brasil.
Paralisação esbarrou no calendário
Antes da ofensiva no STF ganhar força, dirigentes chegaram a discutir a possibilidade de interromper o Brasileirão em protesto contra a decisão do governo. A ideia, porém, encontrou obstáculos para avançar.
Um deles foi o próprio calendário do futebol brasileiro. Com a temporada em sua reta final e poucas datas disponíveis, suspender rodadas abriria um problema para a posterior remarcação das partidas e poderia comprometer o andamento da competição.
A ausência de apoio da CBF também pesou na mudança de estratégia. A entidade não aderiu à possibilidade de paralisação e optou por não assumir posição na disputa sobre os impactos provocados pela proibição.
Diante desses entraves, a pressão deixou de mirar diretamente o calendário do Brasileirão e passou a ser concentrada no Judiciário.
Clubes tentam ganhar tempo para contratos
Enquanto a validade da medida é discutida, outra frente tenta evitar o rompimento imediato dos acordos comerciais já assinados. O Sindicato Nacional do Futebol (Sinafut) pediu ao STF a criação de um período de transição que permita a manutenção dos patrocínios das bets até o fim de 2026.
O pedido funciona como uma alternativa caso a suspensão integral da Medida Provisória não seja aceita. A tentativa é preservar temporariamente contratos firmados antes da mudança promovida pelo governo e dar mais tempo para clubes reorganizarem suas receitas.
A urgência está relacionada aos prazos estabelecidos pela própria MP. Marcas e materiais publicitários das empresas de apostas deverão ser retirados até as 23h59 de 5 de outubro, enquanto as plataformas ficam sujeitas a bloqueio no país a partir do dia 6.
Bets movimentam mais de R$ 1 bilhão na Série A
A dimensão financeira ajuda a explicar a mobilização dos dirigentes. Atualmente, 14 dos 20 clubes da primeira divisão possuem uma empresa de apostas como patrocinadora máster.
Somente em 2025, os contratos de patrocínio das bets com clubes da Série A ultrapassaram R$ 1 bilhão. Com a proibição, acordos que já faziam parte do planejamento financeiro das equipes passam a ser diretamente afetados.
A Medida Provisória já está em vigor, mas ainda precisa passar pelo Congresso Nacional. Caso não seja aprovada dentro do prazo constitucional de até 120 dias, perderá a validade.

